Dólar dispara cerca de 2,5% e ronda R$3,60, com cena externa

terça-feira, 3 de maio de 2016 13:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliou a alta a cerca de 2,5 por cento, agora rondando o patamar de 3,60 reais nesta terça-feira, acompanhando a piora do cenário externo e maior aversão a risco sobretudo nos mercados emergentes, após dados ruins sobre a China.

Ajudava também a atuação do Banco Central, que realizou leilão de swaps cambiais reversos --equivalentes à compra futura de dólares-- mais cedo .

Às 12:23, o dólar avançava 2,42 por cento, a 3,5744 reais na venda, e chegou a bater 3,5828 reais na máxima deste pregão. O dólar futuro subia cerca de 2 por cento.

"As moedas de países emergentes, como um todo, estão caindo. O BC é só a cereja do bolo", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

A aversão a risco refletia os dados da atividade industrial da China, que encolheu pelo 14º mês seguido em abril, mostrando fragilidade da segunda maior economia do mundo. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit da China recuou para 49,4, contra expectativa do mercado de 49,9 e ante 49,7 em março.

A aversão ao risco também era alimentada pelos preços o petróleo, que ampliavam as perdas e caíam mais de 2 por cento nesta sessão, por preocupações com o aumento da produção no Oriente Médio e no Mar do Norte, renovando os receios em torno do excesso de oferta global.

Com isso, o dólar também ampliava a alta em relação a moedas de países como o México e Chile.

No mercado local, a atuação do BC também ajudava a puxar o dólar. Nesta manhã, vendeu 9,8 mil swaps cambiais reversos da oferta total de até 20 mil contratos. Com a piora no cenário externo, que acentuou a alta do dólar no Brasil, o BC não anunciou, até o momento, novo leilão para tentar colocar o restante dos contratos não vendidos na primeira tranche, como fez recentemente.

Nos dois pregões anteriores, o BC havia voltado a atuar com mais força no mercado de câmbio após o dólar ir abaixo de 3,45 reais. Para muitos especialistas, a autoridade monetária não quer a moeda abaixo de 3,50 reais para não prejudicar as exportações e, assim, as contas externas do país.   Continuação...

 
Nota de dólar vista em casa de câmbio no Rio de Janeiro.    24/09/2015       REUTERS/Sergio Moraes