BC da Austrália reduz taxa de juros para combater onda deflacionária global

terça-feira, 3 de maio de 2016 13:58 BRT
 

Por Wayne Cole

SYDNEY (Reuters) - O banco central da Austrália cortou a taxa de juros para a mínima histórica de 1,75 por cento nesta terça-feira, no primeiro afrouxamento monetário em um ano na tentativa de restringir a alta da moeda e combater a onda deflacionária global.

O corte de 0,25 ponto percentual nos juros decidido pelo Reserve Bank of Australia provocou a queda do dólar australiano a 0,7567 por dólar norte-americano, com os mercados apostando que mais um corte para 1,5 por cento é agora provável.

A Austrália é o caso mais recente na região asiática a sentir a ameaça da deflação, já que muitos bens têm pouca demanda. Cingapura surpreendeu muitos ao afrouxar a política monetária no mês passado, seguindo a Índia, Taiwan, Indonésia, China, Japão e Nova Zelândia.

Especulações de um possível corte dos juros surgiram na semana passada, quando dados do governo australiano mostraram que a inflação desacelerou muito mais do que o esperado no primeiro trimestre.

A inflação caiu para a mínima recorde de 1,5 por cento, bem abaixo da meta do banco central de uma banda de 2 a 3 por cento no longo prazo, e efetivamente elevando as taxas reais de juros.

"A inflação tem permanecido bastante baixa há algum tempo e dados recentes foram inesperadamente baixos", disse o presidente do BC australiano, Glenn Stevens, em comunicado após a reunião de maio da entidade.

"Esses resultados, juntos com o crescimento bastante fraco nos custos trabalhistas e pressões de custo muito baixas no mundo, apontam para uma perspectiva mais baixa para a inflação do que projetado anteriormente."

Oito bancos centrais do mundo adotaram ciclos de estímulo completamente novos até agora este ano, enquanto o Banco do Japão e o Banco Central Europeu (BCE) adotaram taxas negativas e ampliaram suas campanhas de compra de ativos.

Todo esse afrouxamento monetário no exterior impulsionou o dólar australiano mais do que o banco central gostaria, afetando as exportações e o turismo ao mesmo tempo em que pressionou para baixo os preços de importados e, portanto, a inflação.