CENÁRIOS-Mercado de energia solar em telhados no Brasil vive boom e atrai investidor

terça-feira, 3 de maio de 2016 14:08 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de pequenas instalações de energia solar cresce com força no Brasil desde meados do ano passado e cria expectativa de um aumento exponencial nos próximos anos, o que chamou a atenção de grandes elétricas internacionais, que têm anunciado ou ampliado investimentos no setor, como a italiana Enel, a norte-americana AES e a francesa Engie.

A tecnologia instalada em telhados ficou mais viável após a forte elevação das tarifas de eletricidade, de quase 50 por cento em 2015, e de mudanças na regulação em novembro que tornaram mais atrativa a instalação dos sistemas, que reduzem ou zeram a conta de luz dos consumidores, conforme a energia produzida por eles vira um crédito nas faturas.

Segundo estudo do Greenpeace, a tecnologia tem potencial para sair praticamente do zero e alcançar cerca de 29,6 mil megawatts em potência instalada até 2030, se mantido o cenário atual, o que representaria mais de 6 milhões de instalações --a princípio, não há limitações técnicas para esse crescimento.

Essa expansão ainda poderia chegar a até 41,4 mil megawatts, que representariam uma presença maior na matriz brasileira, que hoje tem 142,6 mil megawatts instalados, se fossem adotados incentivos tributários e outras facilidades, como a possibilidade de o consumidor utilizar recursos do Fundo de Garantia (FGTS) para a compra das placas fotovoltaicas.

Atualmente, segundo a Aneel, existem 1,9 mil sistemas, ou 22,8 megawatts em potência.

"Isso já mostra o potencial que essa fonte tem no Brasil... a gente percebe que está havendo um crescimento bem acelerado de outubro passado para cá, mas esperamos que isso aconteça de forma mais rápida, sobretudo se conseguirmos alguns incentivos", disse à Reuters a coordenadora de energia solar do Greenpeace, Bárbara Rubim.

De olho nesse mercado, a italiana Enel montou uma empresa dedicada à geração solar de pequeno porte no Brasil ainda em 2013, a Prátil, que no ano passado acelerou a contratação de representantes comerciais no país para garantir o crescimento em meio a um cenário mais favorável para a tecnologia.

"A Prátil espera crescer ao menos cerca de 150 por cento por ano até 2020", disse a Enel à Reuters, em nota.   Continuação...