Indústria de soja do Brasil vê avanço na exportação com quebra de safra argentina

terça-feira, 3 de maio de 2016 14:06 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil ocupará mercados de soja, farelo e óleo de soja que a Argentina eventualmente deixe vazios em função de perdas decorrentes de inundações que afetam a safra do país vizinho, afirmou um dirigente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A Argentina é o terceiro exportador global de soja em grão, atrás de Brasil e Estados Unidos, mas é líder na exportação de farelo e óleo de soja.

Especialistas na Argentina avaliam que as inundações, que atingiram cerca de um terço da safra em abril, poderão reduzir a colheita em cerca de 15 por cento.

As preocupações com a quebra de safra argentina, cuja colheita também foi atrasada pelas inundações, levaram os contratos futuros da soja a máximas de 15 meses nesta terça-feira na bolsa de Chicago, a 10,57 dólares por bushel.

Enquanto isso, o Brasil já colheu cerca de 90 por cento de sua safra recorde próxima de 100 milhões de toneladas e trabalhava, antes mesmo das notícias de perdas na Argentina, com expectativa de exportar e processar os maiores volumes da história em 2016.

"O Brasil e Argentina têm comercialização (de soja) mais ou menos no mesmo período. A Argentina entra um pouco depois da nossa... Se olhar o aspecto temporal, (essa perda na Argentina) possivelmente vai ajudar o Brasil", afirmou à Reuters o secretário-geral da Abiove Fábio Trigueirinho.

Em abril, as exportações de soja do Brasil superaram 10 milhões de toneladas ao mês pela primeira vez na história.

"Isso beneficia o Brasil, que vai ter condição de colocar mais farelo, grão e óleo no mercado. Tem possibilidade de vender mais produtos este ano", acrescentou o executivo da entidade que reúne grandes tradings e indústrias como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e Cofco Agri.   Continuação...