Governo aposta em flexibilização de instrumentos para financiar agricultura na crise

quarta-feira, 4 de maio de 2016 13:48 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo aumentou a aposta em novos instrumentos financeiros para custear o agronegócio, buscando elevar a oferta de crédito em dezenas de bilhões de reais a despeito de mais um ano de severa recessão econômica, de acordo com indicações dadas por autoridades durante o lançamento do Plano Safra 2016/17, nesta quarta-feira.

Em uma frente, a estimativa é que o direcionamento ao setor por meio de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) será de cerca de 40,25 bilhões de reais este ano para custeio e comercialização, ou 23,8 por cento do total previsto nesta modalidade no âmbito do Plano Safra 2016/2017.

A cifra contrasta com os 12 bilhões de reais estimados para a safra atual, que termina em junho.

De outro lado, o governo enviará um projeto de lei ao Congresso para abrir caminho para que os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos por empresas que desejam atrair investidores possam ser corrigidos em moeda estrangeira, desde que lastreados na mesma condição.

"A LCA e o CRA são dois instrumentos que nós estamos trabalhando muito otimistas para viabilizar recursos extras para a agricultura, que não sejam só o crédito oficial. São instrumentos de financiamento a mais", disse a jornalistas a ministra da Agricultura, Kátia Abreu.

Ao todo, o Plano Safra 16/17 prevê cerca de 203 bilhões de reais em financiamentos.

A ministra explicou que atualmente os CRAs já existem, mas sua garantia só pode ser dada em moeda local. Com a flexibilização, disse ela, a estimativa é de um ingresso de recursos de 12 bilhões de reais este ano e de 40 bilhões a 60 bilhões de reais em 2017.

Os valores, entretanto, não entraram no cálculo do Plano Safra 2016/17, já que a iniciativa ainda depende do sinal verde dos parlamentares para seguir em frente. Kátia afirmou que o texto do projeto deverá ser enviado ainda esta semana ao Legislativo.   Continuação...