Queda na área plantada com milho na China coloca estoques do governo no radar

quinta-feira, 5 de maio de 2016 10:30 BRT
 

Por David Stanway

PEQUIM (Reuters) - A China estimou que a área de plantio de milho do país irá cair mais de um milhão de hectares neste ano, o primeiro recuo em 13 anos, levando os mercados globais de grãos a se prepararem para os efeitos da maior reforma agrícola do governo chinês em quase uma década.

A China disse em março que pode encerrar seu programa de estocagem estatal de milho, o que elevou os preços domésticos e elevou as importações de substitutos mais baratos, como sorgo e grãos secos de destilaria.

O esquema, sob o qual grandes volumes são comprados por preços fixos, foi desenhado para dar sustentação à renda dos agricultores, mas deixou o governo com enormes estoques disponíveis para a venda.

A China acumula cerca de 250 milhões de toneladas de milho, o suficiente para encher 34 vezes o estádio Ninho do Pássaro, em Pequim, e os planos do governo para se desfazer destas reservas são algo que o mercado acompanha de perto.

"Durante este processo de reforma, e com as mudanças no mercado de milho, nós precisamos garantir que os agricultures continuem positivos sobre o cultivo, e ao mesmo tempo encorajá-los a mudar para outras culturas em áreas que não são ideais (para o milho)", disse o vice-ministro de agricultura Yu Xinrong nesta quinta-feira.

Yu disse que a China planeja reduzir a área plantada com milho em 1,33 milhão de hectares este ano.

O apoio da China para o milho fez a área de plantio saltar para 37 milhões de hectares no ano passado, ante 23 milhões de hectares em 2001, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

As mudanças de política elevaram temores nos mercados internacionais de que a China possa exportar seu excedente de milho.

"Nós estamos vendo uma grande possibilidade de exportações de milho da China se os preços domésticos caírem ao nível dos mercados internacionais", disse um operador de Cingapura.

Por outro lado, alguns observadores chineses têm destacado que o corte da produção doméstica poderia eventualmente significar uma maior dependência do país por milho importado.