Tractebel vê preço da energia em alta com menos chuvas e eventual mudança no PLD

sexta-feira, 6 de maio de 2016 12:36 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O cenário de preços baixos no mercado livre de eletricidade no primeiro trimestre deste ano, devido à redução da demanda e às boas chuvas, já começa a se reverter, em uma tendência que pode se consolidar no longo prazo, afirmou nesta sexta-feira o diretor financeiro da geradora Tractebel Energia, Eduardo Sattamini.

O executivo, que participou de teleconferência com investidores, disse que o movimento de alta é puxado por uma hidrologia menos favorável, vista desde abril, e por estudos do governo sobre uma eventual mudança nos parâmetros de cálculo do preço spot da energia, o PLD.

A Reuters antecipou em 12 de abril que uma mudança nos parâmetros deverá elevar os preços.

O PLD, utilizado no mercado de curto prazo, ou à vista, começou o ano na casa dos 35 reais por megawatt-hora no Sudeste, e agora já está em 89 reais por megawatt-hora.

Já os preços para contratos mais longos passaram de cerca de 120 reais, menor nível desde 2012, para entre 130 e 135 reais por megawatt-hora em ofertas para suprimento a partir do próximo ano, disse Sattamini.

"A gente viu um início de ano de preços baixos, que começam agora a melhorar com dois componentes... os rumores de eventual alteração no PLD... e a situação hidrológica um pouco pior... em termos de preço de longo prazo a gente começa a observar que o mercado já pratica preços um pouco maiores que no mês passado", disse.

Ele não quis fazer comentários sobre a visão da Tractebel em relação a uma eventual mudança do PLD, mas ressaltou que o assunto tem mexido com o mercado.

"A gente vem observando que essa (discussão sobre) mudança de metodologia de cálculo de preço vem afetando positivamente os preços de curto e médio prazo... estamos falando em níveis de preço acima de 130, 135 reais (por megawatt-hora) já para o próximo ano, diria que com tendência crescente."

O diretor também disse que os elevados custos para a construção de novas usinas de geração, pressionados pelas altas taxas de juros e pela valorização do dólar, deverão contribuir para manter uma pressão de alta sobre as cotações.   Continuação...