Com crédito fraco, bancos intensificam busca por mais receitas com tarifas

sexta-feira, 6 de maio de 2016 16:56 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Os grandes bancos privados do país estão intensificando iniciativas para ampliar receitas com tarifas e serviços, tentando amortecer os efeitos da contração do crédito e aproveitando um ambiente em que o número de competidores encolhe.

No cardápio estão condições mais rigorosas para conceder isenção de tarifas, aproximação com públicos menos bancarizados e esforços para fazer clientes que têm contas em várias instituições concentrarem operações bancárias em apenas uma.

O Santander Brasil passou a condicionar a isenção de anuidade para seu cartão de crédito para clientes que fizerem ao menos 100 reais em compras todo mês. Além disso, serviços como saques e pagamento avulso de contas e boletos com o cartão de crédito, antes gratuitos no Santander, estão agora sujeitos a tarifas.

"Vamos manter a isenção da tarifa para clientes que fizerem um uso mínimo do cartão", disse à Reuters o diretor de relações com investidores do banco, Angel Santodomingo. "Queremos ter algo bom para o cliente e para a instituição."

Já o Bradesco está "se aproximando mais dos clientes", nas palavras de seu diretor de relações com investidores , Luiz Carlos Angelotti. Entre as medidas nesse sentido, o banco por trás da financeira Ibi Promotora, criada em parceira com o Banco do Brasil, está ampliando o time da operação. Com foco na população de menor renda, o banco que começou há algumas semanas a operar tem 1 bilhão de reais em empréstimos e operações com cartões já na saída.

No Itaú Unibanco, o chamado "não crédito" já há dois anos representa mais da metade da receita do banco. Desde o ano passado, o mesmo também é verdade para o Bradesco. A tendência se reforçou no primeiro trimestre.

Somados os números de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil, enquanto no primeiro trimestre a carteira de crédito encolheu 2,8 por cento, as receitas com serviços cresceram 7,9 por cento, para 16,66 bilhões de reais.

Embora seja uma reação natural à queda nos financiamentos, esse foco mais intenso sobre tarifas também reflete o esforço dos bancos para deixar o balanço mais leve, em preparação para a fase 3 do acordo de Basileia, que terá implementação integral no Brasil em 2019.   Continuação...