Andrade Gutierrez pede desculpas por Lava Jato e vai pagar R$1 bi em acordo de leniência

segunda-feira, 9 de maio de 2016 08:17 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Andrade Gutierrez teve homologado pela Justiça um acordo de leniência que prevê pagamento pela empresa de indenização de 1 bilhão de reais por envolvimento no esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato, informou a empreiteira nesta segunda-feira em um pedido de desculpas publicado em jornais.

"Reconhecemos que erros graves foram cometidos nos últimos anos e, ao contrário de negá-los, estamos assumindo-os publicamente", afirmou a empreiteira no pedido de desculpas.

Segundo a Andrade Gutierrez, o acordo de leniência começou a ser negociado com o Ministério Público Federal em outubro de 2015 e foi homologado pelo juiz federal do Paraná Sérgio Moro em 5 de maio. Acordos de delação premiada de ex-executivos da empreiteira foram homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início de abril.

"Passadas essas fases, é o momento de a empresa vir a público e admitir, de modo transparente perante toda a sociedade brasileira, seus erros e reparar os danos causados ao país e à própria reputação da empresa", acrescentou a companhia.

A Andrade Gutierrez disse que está implementando um modelo de compliance desde dezembro de 2013 e publicou oito propostas que acredita que podem ajudar a criar "uma nova relação entre o poder público e as empresas nacionais, com atuação em obras de infraestrutura".

As propostas incluem obrigatoriedade de estudo de viabilidade técnico-econômica antes do lançamento de editais de concorrência de obras de infraestrutura, assim como de projeto executivo de engenharia antes da licitação do projeto, entre outras.

"Acreditamos que a operação Lava Jato poderá servir como um catalisador para profundas mudanças culturais, que transformem o modo de fazer negócios no país", disse.

Segundo reportagens da mídia, ex-executivos da empreiteira disseram em acordos de delação que houve pagamentos de propina em obras da Petrobras, na usina nuclear de Angra 3 e em obras da Copa do Mundo de 2014, entre outras.

(Por Priscila Jordão)