Projeção para Selic em 2016 cai a 13%, economistas veem inflação mais alta

segunda-feira, 9 de maio de 2016 09:43 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A projeção para a taxa básica de juros no final deste ano voltou a ser reduzida apesar da elevação na expectativa para a inflação, mesmo após o Banco Central reduzir suas contas para a alta dos preços mas manter o discurso de cautela.

Os especialistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira elevaram a estimativa para a alta do IPCA ao final de 2016 a 7,00 por cento, contra 6,94 por cento antes, após oito semanas seguidas de queda.

Assim, a projeção permanece acima do teto da meta do governo, de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais.

Para 2017 a expectativa de inflação agora é de 5,62 por cento, 0,1 ponto percentual a menos do que na pesquisa anterior, dentro da meta para o ano que vem, de 4,5 por cento, com tolerância de 1,5 ponto.

Na semana passada, o BC reduziu sua projeção para a inflação tanto para 2016 como para 2017, mas reiterou não haver espaço para diminuição dos juros básicos diante de fatores como o nível elevado da inflação em 12 meses.

O IPCA acelerou o avanço a 0,61 por cento em abril, mas em 12 meses a alta caiu a 9,28 por cento, frente a 9,39 por cento em março.

O BC manteve a Selic em 14,25 por cento ao ano na última reunião em um decisão unânime pela primeira vez depois de três votações rachadas, o que indica que está pavimentando o caminho para afrouxar a política monetária só mais à frente

Ainda assim, a pesquisa junto a uma centena de economistas mostrou que a expectativa para a Selic agora é de que encerre 2016 a 13,00 por cento, contra 13,25 por cento na semana anterior. Para o fim de 2017 permanece a projeção de 11,75 por cento.

Por outro lado, o Top 5, grupo que mais acerta as projeções, elevou a expectativa para a taxa básica de juros a 13,88 por cento no fim deste ano na mediana das projeções, contra 13,38 por cento antes. Houve alta também para a Selic em 2017, a 12,63 por cento, sobre 12,25 por cento.   Continuação...

 
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília
23/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino