Diga adeus à Opep, diz presidente da petroleira russa Rosneft

terça-feira, 10 de maio de 2016 10:49 BRT
 

MOSCOU (Reuters) - Diferenças internas estão matando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e sua capacidade de influenciar os mercados praticamente evaporou, afirmou à Reuters o presidente da petroleira estatal russa Rosneft, Igor Sechin, em uma de suas mais duras falas sobre o cartel.

A Rússia, que tem sido duramente atingida pela queda dos preços do petróleo, vinha flertando com a ideia de cooperar com a Opep nos últimos meses, até tensões entre os membros do grupo envolvendo Arábia Saudita e Irã terem arruinado um pacto global para congelar a produção da commodity.

Sechin, um dos aliados mais próximos do presidente russo Vladimir Putin, foi a única autoridade russa a se opor consistentemente ao acordo com os países da Opep, mesmo após o Kremlin endossar definitivamente o plano.

"No momento, uma série de fatores objetivos exclui a possibilidade de qualquer cartel ditar suas vontades sobre o mercado... quanto à Opep, ela praticamente deixou de existir como uma organização unida".

Em comentários feitos no final de semana e embargados até esta terça-feira, Sechin disse que a Rosneft "estava cética desde o início sobre a possibilidade de qualquer acordo conjunto com o envolvimento da Opep nas atuais condições".

Os comentários de Sechin sobre o fim de uma era na qual a Opep podia influenciar os preços estão alinhados com a visão do novo ministro de energia da Arábia Saudita, Khaled al-Falih, que em diversas ocasiões no ano passado disse que o mercado precisa se reequilibrar através de preços baixos e que os sauditas têm recursos para esperar.

"Atualmente, os fatores chave que estão influenciando o mercado são as finanças, tecnologia e regulação. Nós podemos ver isso com o exemplo da produção não convencional, que... tornou-se uma poderosa influência no mercado global", disse Sechin, em comentários por e-mail.

(Por Vladimir Soldatkin)