AES Eletropaulo vê risco de colapso financeiro por sobras de energia contratada

quarta-feira, 11 de maio de 2016 12:23 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A distribuidora de energia AES Eletropaulo enviou carta à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na qual afirma que "estará sujeita ao risco de colapso financeiro" caso o regulador não encontre uma solução para as sobras de energia contratada da empresa, que têm sido vendidas com prejuízo no mercado spot de eletricidade.

As distribuidoras compram energia antecipadamente, em leilões promovidos pelo governo federal, e a maior parte delas encontra-se hoje com excesso de contratação devido à queda de demanda dos clientes, conforme o Brasil caminha para o segundo ano consecutivo de retração no consumo devido à recessão e à forte elevação das tarifas no ano passado.

Quando as sobras de energia são de até 5 por cento, as distribuidoras podem repassar o custo da sobrecontratação aos consumidores, enquanto excedentes acima disso podem gerar perda financeira para as companhias.

A companhia, que distribui 34 por cento da energia consumida no Estado de São Paulo, já afirmou que a sobrecontratação encerrará o ano em 16 por cento, o que deverá multiplicar perdas registradas no primeiro trimestre, se nada for feito.

A sobrecontratação da Eletropaulo foi de 5,9 por cento no primeiro trimestre, o que gerou efeito negativo de 40,3 milhões de reais no balanço do período, colaborando para reduzir o lucro líquido em 34,6 por cento ante mesmo trimestre de 2015, para 30,6 milhões de reais.

Na carta à Aneel, à qual a Reuters teve acesso, datada de 11 de abril, a companhia afirmou que tem atualmente contratos de compra de energia "com custo de aproximadamente 400 milhões de reais ao ano sem qualquer cobertura tarifária".

Essa energia é comprada por um preço médio de 148 reais por megawatt-hora e vendida pelo preço spot, que começou o ano na casa dos 30 reais por megawatt-hora e atualmente está em cerca de 80 reais por megawatt-hora.

Em nota à Reuters, a Eletropaulo disse que não tem projeções sobre perdas com o atual nível de sobrecontratação, uma vez que o impacto "pode ser afetado por variações do preço da energia no mercado de curto prazo".   Continuação...