ENTREVISTA-Bancos médios focados em empresas merecem maior atenção durante recessão, diz FGC

quarta-feira, 11 de maio de 2016 13:17 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O sistema financeiro do Brasil está mais preparado do que em crises anteriores para enfrentar os efeitos da recessão, mas bancos pequenos e médios mais concentrados em empréstimos para empresas devem ser monitorados mais de perto, segundo o diretor-executivo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), André Loes.

"Diferentemente das crises anteriores, dessa vez os bancos médios e pequenos não foram pegos de surpresa, eles estão bem menos alavancados", disse Loes em entrevista à Reuters.

Entidade privada criada em 1995 para pagar garantias de clientes de instituições financeiras com problemas, e mantida com recursos dos próprios bancos, o FGC atualmente oferece garantia ordinária de até 250 mil reais por depositante e especial de até 20 milhões a credores donos de depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE).

Com a crise financeira global de 2008, o FGC passou também a socorrer as sócias com problemas. Naquele episódio, o órgão socorreu 24 pequenos bancos emprestando cerca de 4 bilhões de reais. Em 2010-11, O FGC empregou 3,8 bilhões de reais como ponte para o BTG Pactual comprar o Banco Pan (ex-Panamericano), que tinha um buraco bilionário.

"O FGC também está melhor preparado do que na crise 2008-09 e apresenta melhor governança. Há também mais instrumentos para supervisão bancária", disse Loes.

A atuação recente mais relevante do fundo foi o empréstimo de 6 bilhões de reais para o BTG Pactual, diante dos desdobramentos da prisão do fundador André Esteves, em novembro.

Segundo Loes, ex-economista-chefe do HSBC e do Banco Bozano Simonsen para América Latina e para o país no Santander Brasil, além dos bancos estarem menos vulneráveis, o Banco Central e o próprio FGC estão mais equipados para lidar com um cenário de estresse bancário, por terem condição de agir preventivamente.

O executivo, que assumiu em fevereiro um mandato de quatro anos, avalia que, mesmo com menos acesso a recursos do mercado de capitais e sofrendo com crescentes níveis de inadimplência, os bancos brasileiros ainda não estão no "amarelo piscante".   Continuação...