CENÁRIOS-Reformas na mineração do Brasil devem abalar setor, mas fazem pouco por segurança

quarta-feira, 11 de maio de 2016 13:25 BRT
 

Por Stephen Eisenhammer e Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Autoridades brasileiras se preparam para endurecer regras sobre barragens usadas para receber rejeitos da indústria de mineração, depois do rompimento de uma estrutura no ano passado que causou o pior desastre ambiental da história do país, mas as mudanças provavelmente farão pouco para a melhorar a segurança, enquanto prometem onerar as mineradoras.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad), principal Estado minerador do país e palco da tragédia, vai exigir um aumento no número de auditorias para determinados tipos de barragens utilizadas para deposição de resíduos de mineração.

O órgão, responsável pelos licenciamentos, também quer limitar o tamanho das barragens e a frequência com que seus muros podem ser elevados para aumentar a capacidade.

Mas engenheiros, promotores e especialistas em barragens de rejeitos ouvidos pela Reuters dizem que as mudanças propostas deverão fazer pouco para evitar outro desastre, caso as autoridades não obtenham mais recursos financeiros e de pessoal para realizar as suas obrigações.

Em 5 de novembro de 2015, a lama liberada em Mariana (MG) com o colapso da barragem de Fundão da mineradora Samarco, controlada pelas gigantes BHP Billiton e Vale, deixou 19 mortos, centenas de desabrigados e destruiu um distrito inteiro.

O volume de resíduos despejados, suficiente para encher 12 mil piscinas olímpicas, poluiu ainda o importante Rio Doce, que levou os rejeitos da atividade de mineração até o mar capixaba, causando mortandade de peixes e destruindo ecossistemas.

"Fundão é o de Chernobil da indústria de mineração. Há um antes e há um depois", disse o subsecretário de Gestão e Regularização Ambiental Integrada da Semad, Geraldo Abreu, referindo-se ao acidente da usina nuclear, na então república soviética da Ucrânia.

Abreu e a comissão da qual ele faz parte, montada para rever normas para a indústria após a tragédia, estão se concentrando em barragens construídas da mesma forma que Fundão, que utilizam uma técnica de alteamento conhecida como "a montante".   Continuação...