Economia brasileira dá sinais de lenta recuperação sob Temer, mas com riscos

quarta-feira, 11 de maio de 2016 20:40 BRT
 

Por Silvio Cascione

BRASÍLIA (Reuters) - A economia brasileira começa a dar sinais de ter passado pelo pior momento da mais profunda recessão em décadas, num momento em que o vice-presidente Michel Temer se prepara para assumir o poder com uma agenda pró-mercado e um amplo apoio para acabar com uma crise política que paralisa o governo há meses.

As expectativas do mercado para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 melhoraram na semana passada pela primeira vez em mais de um ano, em meio ao otimismo de que Temer foque menos em subsídios e priorize reformas para restaurar a confiança dos agentes econômicos no país. [nEMNG550RY]

Mas o Brasil ainda está muito longe de uma recuperação sólida, e o desemprego continua crescendo com força a cada mês. Ainda assim, há sinais de que a recessão começa a se estabilizar de fato, indicando que a recuperação pode estar a caminho, ainda que com muitas fragilidades.

Com a queda de 7 por cento do PIB desde o começo de 2014, muitas empresas reduziram os estoques, ficando melhor posicionadas para voltar a crescer.

Os custos trabalhistas reduziram com o aumento do desemprego, facilitando a queda da inflação. A taxa de câmbio está mais desvalorizada, reduzindo a competição estrangeira e dando esperança à indústria.

A confiança continua muito baixa, perto de mínimas recordes. Mas agora ela parou de cair entre consumidores e empresários.

"O (iminente) governo de Michel Temer tem uma oportunidade de ouro para promover uma recuperação da economia", disse o economista-chefe para a América Latina do BNP Paribas, Marcelo Carvalho. Ele melhorou sua projeção de crescimento do PIB em 2017, de zero para alta de 2,0 por cento.

O PIB do Brasil deve encolher cerca de 4 por cento em 2016 pelo segundo ano consecutivo, no que seria a pior recessão em mais de um século para o país. A crise ocorreu após uma década de prosperidade que tirou quase 30 milhões de pessoas da pobreza, segundo dados do Banco Mundial. [nL2N1861HD]   Continuação...