PERFIL-Ao assumir Fazenda para tentar salvar economia, Meirelles deixa evidente ambição política

quinta-feira, 12 de maio de 2016 07:17 BRT
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - Henrique Meirelles está voltando a Brasília, agora como ministro da Fazenda, novamente com a tarefa de ajudar a colocar a atividade nos eixos e recuperar a confiança de agentes econômicos, mas deixando ainda mais evidente seu perfil político em busca de espaços.

Essencialmente conservador quando o assunto é economia, Meirelles assumirá o ministério do presidente interino Michel Temer, do PMDB. Esse foi o segundo partido ao qual se filiou. O primeiro foi o PSDB, legenda pela qual elegeu-se deputado federal por Goiás em 2002.

Mas foi seduzido pelo desafio de assumir o Banco Central em 2003, num momento em que os mercados financeiros reagiam muito mal ao fato de o petista Luiz Inácio Lula da Silva ter vencido a eleição presidencial. Meirelles abriu mão de assumir sua cadeira na Câmara e, claro, deixou de ser tucano.

Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob seu comando, em janeiro de 2003, elevou a taxa básica de juro Selic em 0,5 ponto percentual, para 25,50 por cento e, nas seguintes, a levou a 26,50 por cento --teto da taxa básica de juros em seu mandato que durou oito anos e o tornou o presidente do BC mais longevo da história brasileira.

A ortodoxia na condução da política monetária sempre rendeu duras críticas de muitos petistas. Não era raro ir a audiências públicas no Congresso e ser bombardeado por parlamentares da base governista e elogiado pela oposição.

Nos primeiros anos à frente do BC, contou com a blindagem política do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Após a saída de Palocci no início de 2006, e tendo como pano de fundo a inflação mais controlada e a economia em expansão, Meirelles conseguiu se aproximar mais de Lula.

Mas recebeu de presente a oposição de Guido Mantega, escolhido para substituir Palocci na Fazenda, e com quem trocou críticas pelos anos seguintes.

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Ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles durante evento em São Paulo.   25/05/2012    
REUTERS/Paulo Whitaker/File photo