CSN aumentará preços de aço no Brasil em mais 10% em junho

quinta-feira, 12 de maio de 2016 17:57 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Companhia Siderúrgica Nacional está vendo espaço para implementar um aumento de 10 por cento nos preços de aço em junho, no terceiro reajuste consecutivo desde abril, apesar da recente queda nos preços da liga na China, afirmou o diretor comercial da empresa nesta quinta-feira.

"Fizemos aumento de preço em abril e maio para a distribuição. Com estes dois aumentos ... eu tenho espaço para mais um aumento em junho", disse o diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez, durante teleconferência sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre.

Segundo o executivo, apesar do recuo nos preços do aço na China nas últimas semanas, o diferencial de preços entre o mercado brasileiro e o internacional está da ordem de 5 a 10 por cento, o que justificaria um novo reajuste. Martinez afirmou que não vê problemas na implementação do terceiro aumento em junho e que a companhia vai buscar o mesmo nível de reajuste junto a clientes industriais.

A CSN divulgou mais cedo que teve prejuízo líquido de 831 milhões de reais no primeiro trimestre, revertendo resultado positivo de 392 milhões obtido um ano antes.

Durante a teleconferência, o presidente-executivo da CSN, Benjamin Steinbruch, afirmou que a empresa deve melhorar suas margens nos próximos trimestres apoiada no reajuste dos preços e em um eventual início da recuperação da economia.

A companhia pretende investir este ano 45 por cento menos do que o desembolsado em 2015, 1,2 bilhão de reais, dos quais 500 milhões serão destinados para a conclusão em junho do forno de clínquer para produção de cimento na usina da empresa em Volta Redonda (RJ). "Temos uma perspectiva de melhora da economia e o cimento vai reagir rápido", disse Steinbruch.

O executivo afirmou que a empresa segue focada em reduzir o nível de endividamento, que no primeiro trimestre cresceu para 8,67 vezes o Ebitda, e que espera concluir até o final deste semestre venda de ativo que possa ajudar neste objetivo. Steinbruch, porém, não deu detalhes sobre o ativo que poderá ser vendido, embora um dos principais seja o terminal de contêineres em Sepetiba (RJ).

Durante a teleconferência, aberta apenas a analistas de mercado, executivos da CSN não se manifestaram sobre a suspensão pela Justiça de seus indicados para o Conselho de Administração da rival Usiminas, cuja realização nesta quinta-feira também foi suspensa por decisão judicial.

Apesar de acidentes ocorridos na usina de Volta Redonda no início deste ano, que culminaram com a morte de trabalhadores, Martinez afirmou que a CSN mantém a previsão de vendas de aço de 5,5 milhões de toneladas, das quais 3,5 milhões serão no mercado interno. Já em mineração, a empresa espera uma produção de 30 milhões de toneladas de minério de ferro.   Continuação...