Temer pede confiança, faz acenos a todos e promete diálogo e reformas

quinta-feira, 12 de maio de 2016 21:33 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente interino Michel Temer fez um aceno a todos os setores da sociedade em seu primeiro pronunciamento no comando do país, em um discurso que tratou das reformas necessárias para tirar a economia da recessão e restabelecer a credibilidade e a confiança no Brasil, ao mesmo tempo que garantiu a manutenção dos direitos e programas sociais.

Temer fez um apelo pela confiança à população, prometeu diálogo e reafirmou a necessidade de pacificação do país, dividido pelas disputas políticas.

"O diálogo é o primeiro passo para enfrentarmos os desafios para avançar e garantir a retomada do crescimento", disse nesta quinta-feira, após dar posse aos novos ministros. Temer assumiu interinamente a Presidência devido ao afastamento de Dilma Rousseff do cargo por conta da instalação do processo de impeachment no Senado.

"Ninguém, absolutamente ninguém, individualmente tem a solução para as reformas que precisamos realizar, mas nós, governo, Parlamento e sociedade, juntos, vamos encontrá-las."

A primeira reforma a mencionar foi a do pacto federativo, dizendo que Estados e municípios precisam ganhar "autonomia verdadeira". Citou as reformas trabalhista e previdenciária, reconhecendo que são controversas, mas prometeu que nenhuma delas afetará direitos adquiridos.

Num momento de desemprego crescente, Temer bateu na tecla da necessidade de geração de empregos, ressaltando ser esse um dos motivos para a reformas.

Destacou a necessidade de Executivo e Legislativo trabalharem em harmonia e de forma integrada. Disse que a governabilidade não é garantida apenas no Congresso Nacional, mas depende também do apoio da população, em duas possíveis alusões à presidente afastada, que em seu segundo mandato teve uma base parlamentar instável e baixíssima popularidade.

"Queremos uma base parlamentar sólida, que nos permita conversar com a classe política e também com a sociedade", disse. "É preciso governabilidade e governabilidade exige aprovação popular ao próprio governo."   Continuação...

 
Temer durante cerimônia no Palácio do Planalto. 12/5/2016.       REUTERS/Ueslei Marcelino