Eletrobras pode ter cobrança de até R$40 bi em dívidas se não publicar balanço nos EUA, diz Jucá

quinta-feira, 12 de maio de 2016 19:47 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A eventual não publicação de demonstrativos de resultados de 2014 e 2015 pela Eletrobras em tempo hábil junto a reguladores norte-americanos pode implicar na antecipação do vencimento de dívidas da estatal equivalentes a entre 20 bilhões e 40 bilhões de reais.

A informação é do ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Romero Jucá.

"A Eletrobras no dia 18 precisa apresentar o balanço nos Estados Unidos. Mas o balanço está com pendências. O problema é que a Comissão de Valores Mobiliários norte-americana não costuma aceitar balanços com ressalvas", disse Jucá a jornalistas em Brasília nesta quinta-feira.

"Se não se resolver isso, isso pode gerar uma queda de avaliação da Eletrobras e impactar a necessidade de resgate (de dívidas da companhia)... É algo que pode chegar de 20 bilhões a 40 bilhões de reais. Mas que eu espero que até o dia 18 nós tenhamos a solução para isso", acrescentou o ministro.

Na quarta-feira, a Eletrobras informou que está mantendo contato com a Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM dos Estados Unidos, para arquivar os Formulários 20-F dos dois últimos anos e evitar a deslistagem de seus recibos de ações em Nova York (ADR, na sigla em inglês).

A Eletrobras disse ainda que não poderia afirmar se "terá condições de arquivar tempestivamente os Formulários 20-F".

Segundo a empresa, os trabalhos de investigação após denúncias de corrupção em projetos como a hidrelétrica de Belo Monte e a usina nuclear de Angra 3 ainda não foram concluídos. Portanto, a Eletrobras não pode avaliar a eventual ocorrência de impactos sobre as demonstrações financeiras.

Entre o fim de 2014 e início de 2015, a também estatal Petrobras correu o risco de ter declarado o vencimento antecipado de dívidas pelo atraso na publicação de seus balanços.

Na época, a petrolífera adiou a publicação de seus resultados devido às investigações relacionadas à operação Lava Jato, da Polícia Federal. A Petrobras conseguiu evitar a cobrança antecipada de dívida por credores.

(Por Alonso Soto e Lisandra Paraguassu)