Déficit primário em 2016 deve ser maior que o previsto, diz Meirelles

sexta-feira, 13 de maio de 2016 10:22 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O déficit primário de pouco mais de 96 bilhões de reais previsto para este ano na nova meta fiscal enviada ao Legislativo é substancial, mas "tudo indica" que número é ainda maior, afirmou nesta sexta-feira o novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que não descartou a volta da CPMF para a tarefa de reequilíbrio das contas públicas.

A avaliação do ministro, feita em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo, sinaliza que o novo governo pode ter de pedir nova permissão ao Congresso para fazer um rombo maior, o que seria mais uma negociação política.

"É importante que se estabeleça meta (de primário) que seja realista, que seja cumprida", disse Meirelles. Ele afirmou que a recriação da CPMF "preferencialmente" não deveria ocorrer e que não seria instituída de maneira precipitada, mas não descartou sua necessidade.

Atualmente, está no Legislativo um projeto de lei encaminhado pela equipe da presidente afastada Dilma Rousseff para reduzir a meta da economia feita para pagamento de juros da dívida pública deste ano, com possibilidade de rombo de pouco mais de 96 bilhões de reais. Ele tem de ser aprovado na próxima semana porque, caso contrário, o governo ficará com seu orçamento paralisado.

Nesta semana, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, já havia afirmado que era importante votar a proposta como estava para evitar a paralisia. Se o rombo primário deste ano for maior do que está do projeto, um novo teria de ser encaminhado.

Meirelles não adiantou medidas concretas na entrevista, afirmando apenas que os anúncios serão feitos "em um prazo relativamente breve". Ainda nesta manhã, ele dará sua primeira coletiva à imprensa no cargo.

Segundo ele, o trabalho inicial será de análise minuciosa de despesas e encargos ainda não conhecidos. Ele apenas afirmou que serão tomadas "medidas duras" para que a trajetória da dívida do país seja sustentável.

Meirelles disse que está trabalhando em um sistema de metas de despesas públicas para que não haja crescimento real dos gastos. À frente da pasta, o ex-ministro Nelson Barbosa já havia proposto ao Congresso, em março, a criação de um teto para o crescimento do gasto público, mas a análise do projeto ficou paralisada em meio ao andamento do processo de impeachment de Dilma.   Continuação...

 
Novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao lado do presidente interino, Michel Temer. 12/05/2016. REUTERS/Ueslei Marcelino