17 de Maio de 2016 / às 20:22 / um ano atrás

Dólar cai e volta abaixo de R$3,50 após indicação de Ilan ao BC e alta do petróleo

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar encerrou em queda nesta terça-feira, abaixo dos 3,50 reais, com o mercado recebendo bem a indicação de Ilan Goldfajn para presidir o Banco Central e com os ganhos nos preços do petróleo favorecendo moedas de países emergentes.

Mais uma vez, o BC não atuou no mercado cambial, a terceira sessão seguida. Foi um dia de sobe e desce da moeda norte-americana, com receios sobre a proximidade de elevação nos juros norte-americanos mantendo os investidores cautelosos.

O dólar recuou 0,36 por cento, a 3,4915 reais na venda, após cair 0,62 por cento na mínima do dia, a 3,4825 reais, e subir 0,72 por cento, a 3,5295 reais, na máxima. O dólar futuro recuava cerca de 0,4 por cento no fim da tarde.

"Com confiança no novo governo e na nova equipe econômica, é natural que posições defensivas sejam gradativamente desmontadas", disse o superintendente de câmbio da corretora Correparti, Ricardo Gomes da Silva.

O mercado reagiu bem à indicação de Ilan para presidir o BC, conforme esperado e festejado pelos investidores. Também foram anunciados outros nomes para a equipe do Ministério da Fazenda, com Marcelo Caetano na secretaria da Previdência, Mansueto Almeida na secretaria da Acompanhamento Econômico e Carlos Hamilton na secretaria de Política Econômica.

"Os nomes agradaram e o mercado reagiu bem", resumiu o operador da corretora Spinelli, José Carlos Amado.

A queda do dólar também foi sustentada, sobretudo à tarde, pelos preços do petróleo, que subiram mais de 1 por cento nos Estados Unidos e chegaram a atingir a máxima em sete meses nesta sessão, em meio a expectativas de estoques menores no país e após incêndios florestais voltarem a ameaçar fornecedores canadenses.

Neste cenário, o dólar também caiu em relação ao peso chileno e mostrava leve baixa em relação ao peso mexicano. A moeda norte-americana também tinha leve recuo em relação a uma cesta de moedas.

Mais pela manhã, no entanto, o mercado cambial foi marcado por alguma volatilidade, refletindo os receios sobre a proximidade de elevação nos juros norte-americanos diante de dados econômicos mais fortes do que o esperado.

Os preços ao consumidor nos EUA tiveram a maior alta em mais de três anos em abril, indicando pressão inflacionária constante que pode dar ao Federal Reserve, banco central do país, munição para elevar os juros neste ano. Já a produção industrial expandiu em abril.

Além disso, o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, afirmou que ainda presume que haverá de duas a três altas dos juros este ano, enquanto o presidente do Fed de San Franciso, John Williams, concordou que isso "parece razoável". Ambos não têm direito a voto, neste ano, nas decisões de política monetária do Fed.

Juros mais elevados na maior economia do mundo poderiam levar à saída de recursos de países considerados mais arriscados, como o Brasil.

O BC brasileiro não realizou leilão de swap cambial reverso, equivalente a compra futura de dólares. Para muitos operadores, a autoridade monetária não tem interesse na cotação abaixo de 3,50 reais para não prejudicar as exportações brasileiras e, consequentemente, as contas externas.

Por Flavia Bohone

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