Mato Grosso vê perdas mais agudas no milho e pior produtividade em 5 anos

terça-feira, 17 de maio de 2016 17:48 BRT
 

Por Roberto Samora

CUIABÁ (Reuters) - Chuvas irregulares e a falta delas, que já tinham ceifado um pedaço razoável da produção esperada de soja de Mato Grosso em 2015/16, foram ainda mais impiedosas com o milho, cuja colheita começará em mais algumas poucas semanas e deverá ter os menores volumes colhidos por hectare desde a temporada 2010/11, quando a tecnologia agrícola era bem inferior à atual.

A avaliação do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), um órgão de análises ligado à federação de agricultores (Famato), é de que a produtividade do cereal no maior produtor de grãos do Brasil será ainda menor do que o total apontado em uma estimativa já reduzida no início deste mês.

"Vai ocorrer um ajuste para baixo na questão da produtividade, isso sem dúvida nenhuma deve acontecer", afirmou à Reuters o superintendente do Imea, Daniel Latorraca, em seu escritório em Cuiabá.

O Mato Grosso responderia por mais de 35 por cento da segunda safra brasileira de milho em 15/16, segundo avaliação do Ministério da Agricultura, tendo fornecido mais da metade da exportação recorde do cereal do país no ano passado, de cerca de 30 milhões de toneladas.

Isso significa dizer que uma quebra maior que a esperada no Estado deve ter impacto tão importante no mercado quanto o registrado por problemas de estiagem em outros produtores, como Goiás, onde a seca está causando perdas de produtividade até mesmo mais expressivas do que as apontadas em lavouras mato-grossenses.

Os preços nominais, num mercado de oferta escassa e poucos negócios em Mato Grosso, têm oscilado perto de níveis recordes de 36 reais por saca, mais que o triplo do ano passado nesta época, uma situação que se repete em outras partes do país, apertando margens de indústrias como as de aves e suínos.

A situação é tão grave que, mesmo com uma revisão para cima na estimativa de área plantada no início do mês, que ficou em 4,2 milhões de hectares (alta de 5,6 por cento ante 2014/15), o Imea aponta atualmente uma safra de Mato Grosso 12 por cento menor que a registrada no ciclo anterior, somando 23,1 milhões de toneladas.

Isso porque a produtividade preliminarmente está estimada para ter uma queda de 16,5 por cento na comparação anual, para 90,7 sacas de 60 kg por hectare.   Continuação...