Rally da Safra encontra produtividades díspares no milho em MT, mas lavouras ruins predominam

quarta-feira, 18 de maio de 2016 12:07 BRT
 

Por Roberto Samora

NOVA MUTUM (Reuters) - O dia começou com tempo atipicamente mais frio e bastante nublado em Cuiabá, indicando que chuvas poderiam ocorrer, ainda que com atraso para o milho de Mato Grosso, especialmente aquele plantado em meados de fevereiro, que sofreu mais com a falta de umidade na temporada 2015/16.

Da capital de Mato Grosso, a expedição técnica Rally da Safra saiu na terça-feira em direção ao médio-norte mato-grossense, uma região que sozinha produz mais do que qualquer Estado do Brasil, exceto o Paraná, para apurar os problemas de produtividade de uma safra de milho que deverá ter um recuo acentuado, após atraso no plantio seguido de uma interrupção das chuvas antes do que em anos anteriores.

A consequência dessa conjuntura, constatada nos campos pelos técnicos do projeto, organizado pela Agroconsult, é de uma disparidade muito grande do potencial produtivo das lavouras. Aquele produtor que conseguiu plantar até o início de fevereiro provavelmente terá uma safra com volumes relativamente elevados, ajudada pela boa umidade vista até meados daquele mês, mas quem atrasou os trabalhos amargará resultados ruins do campo ressecado.

O Rally da Safra, acompanhado pela Reuters na terça-feira, viu algumas boas lavouras, mas também constatou nas regiões de Nova Mutum, Diamantino e Santa Rita do Trivelato um número muito maior de plantações com colheita aquém da obtida em 2015, quando o Estado colheu um recorde.

Ao ver uma entre pouquíssimas lavouras com bom potencial de 150 sacas por hectare, o analista da Agroconsult Valmir Assarice, que passou pelo mesmo trecho no ano passado, destacou que na safra anterior havia uma uniformidade de lavouras melhores, como aquela, diferentemente das plantações encontradas este ano

Segundo ele, a irregularidade climática tem limitado a produção a 40, 60, 80, 95 sacas por hectare, ou até pouco mais de 100 sacas por hectare, nas áreas menos atingidas pela seca.

"A região de Nova Mutum tradicionalmente é bem produtiva, mas não está. Quer dizer que este ano foi seco", disse Assarice, à Reuters, após uma das paradas para levantar o número de grãos, espigas, espaçamento das plantas, entre outros indicadores que permitem uma avaliação mais precisa da safra.

A quebra de safra em Mato Grosso, que se repete em outros Estados, está tumultuando o mercado nacional e tem potencial de sustentar os preços globais da commodity.   Continuação...