EXCLUSIVO-BC tem nove bancos sob acompanhamento especial, mostra documento

quarta-feira, 18 de maio de 2016 15:58 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central brasileiro mantém nove bancos sob "acompanhamento especial", olhando com lupa suas operações em função de questões como liquidez e estabilidade, mostra um documento interno recente da autoridade monetária visto pela Reuters.

O documento, uma apresentação preparada para uma reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do BC marcada para 19 de maio, informa que os bancos pequenos sob acompanhamento especial incluem Banif, Máxima, Ficsa, Gerador, Pottencial, Mercantil do Brasil, BPN Brasil e Pan.

O monitoramento mais acurado reflete a preocupação do BC, que é atestada no documento, de que excessiva alavancagem, perdas recorrentes, dificuldade de venda de ativos e riscos reputacionais poderiam eventualmente ameaçar a estabilidade das instituições financeiras.

A lista também inclui o BTG Pactual, na esteira dos fortes resgates que o banco sofreu após a prisão em novembro do então controlador e presidente do grupo André Esteves, no âmbito da operação Lava Jato. Esteves foi solto e o banco tem implementado um programa de recuperação.

As instituições sob acompanhamento especial têm pouca ou nenhuma presença no varejo bancário e têm atuação concentrada em nichos como financiamento imobiliário, crédito consignado e voltado a pequenas e médias empresas.

Ainda assim, o monitoramento e, em alguns casos, os limites na concessão de novos empréstimos e na distribuição de dividendos refletem a determinação do BC em manter o sistema bancário brasileiro bem capitalizado, enquanto a pior recessão econômica no país em décadas restringe o crédito e eleva a inadimplência.

Procurado, o BC disse que não se pronuncia publicamente sobre a situação de bancos "em razão do sigilo e em linha com padrão de governança que segue".

Mesmo se recusando a ser inteirado de maneira mais ampla sobre a reportagem, o BC disse, sem fornecer detalhes, que a Reuters teve "acesso a informação incompleta, descontextualizada e com elementos que não correspondem à realidade".   Continuação...

 
Sede do Banco Central em Brasília. 09/12/2015. REUTERS/Ueslei Marcelino