ENTREVISTA-Setor de armazenagem agrícola espera recuperação após mudanças em Brasília

quarta-feira, 18 de maio de 2016 16:51 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria de armazéns agrícolas deverá observar uma recuperação nas carteiras de pedidos a partir do segundo semestre, com uma melhora da confiança dos investidores brasileiros e uma crescente demanda imposta por consecutivas safras recordes no país, disse à Reuters um importante executivo do setor.

"O segundo semestre tende a ser melhor que o primeiro. Colocando-se confiança na economia, acredita-se que teremos retomadas dos pedidos já a partir do mês de julho... e 2017 só tem como ser melhor que 2016", afirmou Olivier Colas, vice-presidente da Kepler Weber, líder no mercado brasileiro de armazenagem de grãos.

O setor de fabricação e instalação de silos vivenciou anos de ouro no início desta década, quando linhas de crédito do governo ofereceram recursos fartos e baratos para investimentos neste tipo de infraestrutura, ainda escassa no país que é um dos maiores produtores e exportadores globais de grãos.

Contudo, a partir de 2015, com o aperto da política econômica, os financiamentos estatais subsidiados minguaram e tornaram-se mais caros, com impacto direto nas contratações de novas estruturas.

A aposta de Colas é que a mudança no governo federal, com uma nova equipe econômica, dê ânimo para os investimentos privados, ainda que as linhas oficiais de crédito não sofram grandes alterações.

"Tem dinheiro na iniciativa privada, não é que (o setor) precisa exclusivamente do financiamento público. As condições já são muito melhores do que alguns dias atrás", analisou o executivo. "Tenho que olhar muito mais pra frente... Nos próximos 3 anos vamos voltar a patamares saudáveis, embora abaixo de 2013 e 2014."

Na semana passada, a Kepler Weber divulgou seu balanço do primeiro trimestre, com resultados negativos. A empresa teve prejuízo líquido de 5,7 milhões de reais, como reflexo da queda no faturamento, devido à baixa liquidez da carteira de pedidos.

A receita líquida da divisão de armazenagem caiu 13,5 por cento na comparação com o primeiro trimestre de 2015, sendo que a receita líquida da companhia no período só subiu porque teve um impulso da divisão de exportações.   Continuação...