Chesf, da Eletrobras, busca empréstimo para aportar recursos em Belo Monte

quarta-feira, 18 de maio de 2016 16:23 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Chesf, subsidiária da estatal Eletrobras, está em busca de financiamento para cumprir com a obrigação de aporte de recursos na hidrelétrica de Belo Monte, que já iniciou operação mas ainda está em obras no rio Xingu, no Pará, disse nesta quarta-feira o presidente da companhia, José Carlos de Miranda.

Segundo o executivo, que não quis comentar valores, a estatal está atrasada em relação a um dos aportes extras chamados pela Norte Energia, grupo que reúne os acionistas da mega hidrelétrica e tem como outros sócios Cemig, Light, Neoenergia e Vale, além de fundos de pensão.

"Estamos negociando linhas de crédito com bancos e assim que tivermos (os recursos) iremos regularizar... Estamos passando por uma dificuldade financeira, mas que estará rapidamente resolvida", disse Miranda, que falou com jornalistas nos bastidores de um evento do setor no Rio de Janeiro.

Ele não quis comentar se há outros sócios com atraso nos aportes.

Os acionistas de Belo Monte têm sido chamados a colocar mais dinheiro no empreendimento, o que reduz o retorno do investimento, conforme não conseguem a liberação de uma última tranche do financiamento da usina junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de 2 bilhões de reais.

A hidrelétrica está orçada em mais de 25,8 bilhões de reais.

Para conseguir esses recursos, a Norte Energia precisaria conseguir um comprador para 20 por cento da energia da hidrelétrica que ainda estão descontratados a um preço de 185 reais por megawatt-hora, bem acima dos patamar praticado atualmente no mercado, de cerca de 130 reais por megawatt-hora.

Os sócios da usina tentam obrigar a Eletrobras a comprar essa energia, por entenderem que isso estava previsto no acordo de acionistas da Norte Energia. Mas a Eletrobras entende que tinha apenas uma preferência nessa compra, e não uma obrigação, o que levou à instauração de uma arbitragem.

Miranda não quis comentar sobre o andamento da arbitragem.

(Por Luciano Costa)