ENTREVISTA-Vale vê substituição mais lenta de mineradoras menores, alerta para volatilidade

quinta-feira, 19 de maio de 2016 14:08 BRT
 

Por Manolo Serapio Jr

CINGAPURA (Reuters) - A substituição de mineradoras menores de minério de ferro por companhias globais de mineração começará a desacelerar se o preço permanecer por volta de 50 dólares a tonelada, disse o diretor global de marketing e vendas de minério de ferro da Vale, Cláudio Alves, nesta quinta-feira.

"O problema não é a demanda, o problema está do lado da oferta. O excesso de capacidade é uma questão global. Por conta disso ainda veremos um período longo e doloroso de ajuste no setor", disse Alves à Reuters.

Um avanço nos preços do aço na China ajudou o minério de ferro à vista a se recuperar em cerca de 30 por cento neste ano, mas Alves vê mais volatilidade à frente.

"O setor pode ter um pouco de respiro mas não estou tão confiante sobre o momento à frente. Acredito que veremos uma estrada esburacada adiante com muita volatilidade tanto no aço quanto no minério de ferro", disse durante um evento do setor.

Várias mineradoras menores de minério de ferro fecharam devido à derrocada dos preços do minério nos últimos três anos e a mineradora australiana Fortescue Metals Group não viu nenhuma delas retomarem a produção desde a recente recuperação de preço, disse um porta-voz da empresa por e-mail.

"Naturalmente, os preços melhores desaceleração o processo de saída de outros", disse o porta-voz.

De uma mínima de 37 dólares a tonelada em dezembro, o minério teve um rali, chegando a 68,70 dólares em abril, impulsionado pela alta dos preços de aço chinês que muitos operadores e analistas atribuíram em grande parte ao aumento de compras no varejo. O preço era de 55,90 dólares na quarta-feira.

A Vale também espera que a economia chinesa cresça entre 6 e 7 por cento até o início da próxima década, o que deve continuar a sustentar a demanda por minério de ferro, disse Alves.

A mineradora brasileira não tem mais planos de expansão após elevar sua capacidade produtiva para 450 milhões de toneladas até 2019-2020, disse Alves, contra entre 340 milhões e 350 milhões de toneladas neste ano.

 
Sede da Vale, no centro do Rio de Janeiro.   15/12/2014    
 REUTERS/Pilar Olivares