Com preços altos e seca, Mato Grosso já registra primeiras colheitas de milho

quinta-feira, 19 de maio de 2016 11:21 BRT
 

Por Roberto Samora

IPIRANGA DO NORTE, Mato Grosso (Reuters) - Alguns produtores de milho em Mato Grosso já colocaram as colheitadeiras nos campos, com cerca de duas semanas de antecipação, visando aproveitar os preços recordes do cereal diante da demanda forte pelo produto escasso.

A estiagem que reduziu a expectativa de safra no maior produtor brasileiro do grão também acelerou o ciclo das lavouras, permitindo que agricultores colham o milho precocemente, ainda que o cereal não esteja idealmente seco.

Registros de colheita, ainda que isolados, foram constatados nesta semana por técnicos participantes da expedição técnica Rally da Safra, acompanhada pela Reuters.

A colheita de milho neste momento vem com umidade acima dos cerca de 14 por cento aceitos por compradores, apesar do tempo mais seco, o que resultaria em descontos nos volumes entregues ou gastos adicionais com equipamentos de secagem, consequentemente reduzidno o valor recebido pelo produtor.

Contudo, as cotações estão tão elevadas que compensam ao agricultor pagar de 2 a 3 reais por saca pela secagem e vender o milho colhido antecipadamente, antes da pressão sazonal de safra.

Os preços do cereal se aproximam de 40 reais a saca em alguns municípios do Estado, ante cerca de 15 reais/saca no mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

"Pelo preço, incentiva um pouco. O preço paga a secagem", disse o engenheiro agrônomo Fábio Carneiro, da Agroconsult, ao ser questionado sobre o assunto após a Reuters observar na quarta-feira áreas colhidas em Ipiranga do Norte e Tapurah, no médio-norte, região que responde por cerca de 45 por cento do milho produzido no Estado.

A área também registra forte demanda por milho, uma vez que há grandes unidades produtoras de aves e suínos.   Continuação...