Governo interino pretende manter participação da Infraero em aeroportos concedidos, diz Moreira Franco

quinta-feira, 19 de maio de 2016 14:17 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo interino de Michel Temer pretende manter a participação de 49 por cento que a estatal Infraero detém em aeroportos concessionados pelo governo Dilma Rousseff, segundo o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco.

Segundo o secretário, a manutenção dessa participação de 49 por cento da Infraero visa honrar contratos firmados com empresas estrangeiras que se associaram à estatal.

"A credibilidade se funda no respeito aos contratos já realizados (...) As decisões agora têm que ser tomadas com cautela, transparência e razoabilidade para estabelecer um ambiente de confiança, estabilidade jurídica e seriedade", disse Franco a jornalistas. "Os contratos serão cumpridos e esse ambiente é que vai permitir às parcerias gerar os empregos necessários", acrescentou.

O secretário, que foi ministro da Secretaria de Aviação Civil de Dilma, declarou que a imposição para que a Infraero tivesse 49 por cento de participação nos terminais concedidos foi uma decisão política, uma vez que do ponto de vista econômico não haveria essa necessidade.

"A visão do passado permitia a União com potencial econômico para definir a Infraero com 49 por cento de um consórcio, decisão que economicamente não era necessária, mas politicamente sim. A realidade hoje nos mostra que a fantasia acabou", disse Franco.

O governo Dilma Rousseff concedeu à iniciativa privada os terminas de Guarulhos e Viracopos (SP), Brasília, Confins (MG) e Galeão (RJ), em todos a Infraero detém 49 por cento de participação.

Outros quatro terminais, Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza, estavam previstos para serem concessionados esse ano, mas diante da mudança de governo federal há possibilidade da licitação prevista para o segundo semestre ser reprogramada, disse Franco. O certame destes terminais já não previa mais a participação da Infraero nos consórcios.

(Por Rodrigo Viga Gaier)