De olho em clima pró-negócio, empresários tentam emplacar agenda liberalizante

quinta-feira, 19 de maio de 2016 19:06 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - De olho na sinalização do novo governo de Michel Temer para um ambiente mais amigável para negócios, setores empresariais estão tentando emplacar pautas defendidas há anos pelo setor privado, incluindo flexibilização de leis trabalhistas e aceleração de acordos de comércio internacional.

Na esteira do ativismo pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, entidades de setores industrial, bancário, construção civil e comércio agora fazem corpo a corpo com representantes do governo interino na esperança de incluir na agenda parlamentar pautas que socorram o setor privado de forma abrangente, sem beneficiar segmentos seletivamente.

"Estamos contra a política de campeões nacionais", disse à Reuters o presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Flavio Rocha, que defendeu o impeachment de Dilma. "Precisamos por fim ao ciclo do Estado que se mete em tudo."

Um dos itens da pauta liberalizante que está aglutinando maior interesse dos empresários é a flexibilização de leis trabalhistas, incluindo prevalência de negociações entre patrões e sindicatos de empregados sobre leis, suspensão temporária dos contratos de trabalho, e terceirização.

A valorização de negociação coletiva e regulamentação da terceirização, aliás, são duas das 36 medidas "indispensáveis para tirar o país da recessão" e que constam em documento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) intitulado "Agenda para o Brasil sair da crise", divulgado nesta quarta-feira.

"Estamos enfatizando mais nos cortes de despesas do governo do que no aumento de impostos", disse o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, do setor de construção civil, segmento que assim como o automotivo, viu o cenário passar de crescimento acelerado para uma crise sem precedentes. "Passamos do céu ao inferno em três anos", disse.

Com receitas em queda e as margens de lucro erodidas por menores receitas, inflação e juros altos, os empresários argumentam que reduzir o custo da mão-de-obra e os riscos de passivos trabalhistas é fundamental para evitar uma quebradeira mais intensa de empresas e que o índice de desemprego de 10,9 por cento no primeiro trimestre, o maior desde 2004, segundo a consultoria LCA, suba ainda mais.

"Para o trabalhador, o mais importante é manter o emprego", diz o economista-chefe da Fecomercio-SP, Vitor França. "Há uma indicação (do novo governo) de que haverá medidas para ganho de produtividade."   Continuação...