Parente promete gestão "estritamente profissional" na Petrobras, sem indicação política

quinta-feira, 19 de maio de 2016 20:59 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O futuro presidente-executivo da Petrobras, Pedro Parente, prometeu nesta quinta-feira fazer uma gestão "estritamente profissional" na estatal, sem indicações políticas.

Em sua primeira entrevista como indicado para o posto, o ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso disse que a empresa tem grandes desafios pela frente, mas que o processo de recuperação já foi iniciado pela atual diretoria.

"Não haverá indicações políticas na Petrobras, o que vai facilitar muito a vida do Conselho de Administração e a minha própria. Isso foi uma indicação clara que o presidente (interino Michel) Temer me passou e sem dúvida nenhuma foi um dos pontos que me ajudaram a decidir por essa opção de assumir essa posição", disse Parente, que atualmente preside o Conselho de Administração da BM&FBovespa.

Parente ressaltou, contudo, que a atual diretoria, comandada por Aldemir Bendine, e o Conselho já deram início ao processo de recuperação da empresa, mas reconheceu que o desafio ainda é muito grande e que poderá indicar novos diretores.

Petroleira mais endividada do mundo, a Petrobras é protagonista do escândalo bilionário de corrupção investigado pela operação Lava Jato, envolvendo empreiteiras, executivos e políticos. A empresa também está sofrendo com a queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

"A Petrobras tem grandes desafios, questões muito relevantes em andamento, mas é um trabalho que já teve início... o presidente Bendine, junto com o Conselho de Administração da empresa, vem trabalhando arduamente na direção de endereçar essas questões e desafios", disse Parente.

Ele destacou a emissão da Petrobras no mercado internacional nesta semana com um sinal de "confiança" do mercado na estatal. Afastada desde junho do mercado global de capitais, a Petrobras captou nesta semana 6,75 bilhões de dólares em títulos de cinco e 10 anos.

Inicialmente, Pedro Parente será indicado como membro do Conselho de Administração pelo governo, acionista controlador, para que possa ser aprovado pelo colegiado como presidente-executivo. Ele disse que, se não houver conflito de interesse, gostaria de permanecer como presidente do Conselho da BM&FBovespa para concluir o processo de fusão com a Cetip.

Parente disse que não poderia dar detalhes sobre o que pretende fazer na estatal, por não ter informações, inclusive sobre o programa de desinvestimentos e uma eventual necessidade de aporte do Tesouro Nacional.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

 
Pedro Parente concede entrevista no Palácio do Planalto.  19/5/2016. REUTERS/Adriano Machado