Novo ministro de Minas e Energia agrada setor elétrico ansioso por mudanças

sexta-feira, 20 de maio de 2016 12:40 BRT
 

Por Luciano Costa

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Centenas de executivos e especialistas do setor elétrico, grande parte deles já com cabelos grisalhos e décadas de experiência, agitavam-se durante a abertura de evento no Rio de Janeiro nesta semana em que o ministro de Minas e Energia Fernando Coelho Filho (PSB-PE) fez o primeiro pronunciamento público à frente da pasta, na expectativa por sinais sobre os rumos da nova gestão.

Um rosto desconhecido para muitos ali, o deputado do PSB foi nomeado em 12 de maio para o cargo, um dos mais importantes da administração federal, mesmo sem ter ligação com os setores de energia e mineração e com apenas 32 anos de idade, o que deu origem a uma piada que circulou pelo salão enquanto sua chegada era aguardada.

"Se você quer saber quem é o ministro, é só procurar quem é o mais novo aqui", brincavam alguns engravatados que circulavam pela conferência, realizada na quarta e quinta-feira e considerada a principal a reunir anualmente os investidores em energia elétrica do Brasil.

Mas a juventude e a falta de intimidade do ministro com o mundo dos megawatts ficaram em segundo plano após um discurso inicial em que ele fez questão de marcar diferenças em relação à gestão anterior de sua pasta.

"Nosso compromisso, mesmo que não seja algo que possamos concretizar em 2 anos e 7 meses, é de fato começar a 'virar' o setor elétrico brasileiro...alguém tem que dar esse pontapé inicial", afirmou Coelho Filho, nomeado pelo presidente interino Michel Temer, depois do afastamento de Dilma Rousseff da Presidência por conta do processo de impeachment.

Ele também falou em preços realistas, menos intervenções e melhorias na atratividade dos investimentos.

As palavras agradaram em cheio um público ávido por mudanças em um setor elétrico que acumula problemas desde que um pacote de medidas para reduzir as contas de luz, lançado pelo governo Dilma Rousseff em 2012, deu início a uma crise que hoje leva a unânimes pedidos por revisão no marco regulatório do segmento.

O discurso foi ajudado ainda pelos efeitos da nomeação, na véspera, do influente ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Paulo Pedrosa para a secretaria-executiva do ministério.   Continuação...