China aprova plano para "limpar" indústria de finanças online, dizem fontes

sexta-feira, 20 de maio de 2016 15:52 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - O governo chinês aprovou um plano para "limpar" o setor de finanças online do país, afirmaram fontes com conhecimento direto do assunto. O projeto inclui regras para limitar a atividade de empresas de financiamento do tipo P2P, fonte de recentes escândalos.

O plano do governo, que foi preparado pelo banco central do país, define regras estritas para as plataformas P2P de financiamento, onde os empréstimos cresceram mais de 300 por cento no ano passado, para 440 bilhões de iuans (67 bilhões de dólares), segundo levantamento do Citigroup. As regras impedem estas empresas de manterem recursos de clientes dentro de suas próprias estruturas.

Em vez disso, os fundos dos clientes precisarão ser depositados em uma instituição financeira terceira qualificada e mantidos separados dos próprios recursos da plataforma P2P. As empresas também precisarão criar barreiras de segurança para administrarem transações com afiliadas.

Em fevereiro, autoridades prenderam 21 representantes da Ezubao, que já foi a maior plataforma de empréstimos "compartilhados" (P2P) da China. A empresa levantou 7,6 bilhões de dólares em menos de dois anos junto a mais de 900 mil investidores.

A Ezubao utilizou um inteligente esquema de marketing para financiar um "esquema de pirâmide completo" que utilizou recursos de investidores para apoiar uma vida de luxo aos executivos da companhia, afirmaram autoridades.

Empréstimos pela internet têm feito manchetes não apenas na China recentemente. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação contra a Lending Club, baseada em São Francisco, esta semana depois que a empresa admitiu que falsificou documentos quando vendeu um pacote de empréstimos.

O Conselho de Estado da China está pedindo que os 14 ministérios do país trabalhem em conjunto para compartilharem mais informações para "limpeza" do setor de finanças online, segundo as fontes.

O governo também está querendo a criação de um sistema de registro centralizado para produtos financeiros que operam pela internet e uma plataforma unificada para contas bancárias abertas pela web.

(Reportagem de Shu Zhang, Zheng Li e Matthew Miller)