Governo projeta rombo primário nas contas federais de R$170,5 bi em 2016

sexta-feira, 20 de maio de 2016 21:26 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal pedirá aval do Congresso Nacional para fechar 2016 com déficit primário recorde de 170,5 bilhões de reais, mas indicou que pretende realizar um resultado melhor com a adoção de medidas que visam o reequilíbrio fiscal e que devem ser anunciadas nas próximas semanas.

A nova estimativa de déficit representa um aumento de quase 80 por cento em relação à projeção de um rombo de 96 bilhões de reais, conforme projeto de lei enviado ao Legislativo no fim de março pela equipe econômica da presidente afastada Dilma Rousseff.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a nova estimativa é "realista" e que não considera nenhuma medida que dependa do Legislativo, como a recriação de CPMF, nem tampouco o impacto negativo de eventual necessidade de capitalização da Eletrobras.

"Vamos trabalhar para que número seja menor que esse e que haja espaço para números extraordinários que possam surgir", disse Meirelles em entrevista coletiva.

Também presente na coletiva de imprensa, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, afirmou que "a meta não é novela para ser feita em capítulos", e que o governo do presidente interino Michel Temer está apresentando esta cifra para não ter que revisá-la depois.

Ambos negaram que o governo esteja pedindo um cheque em branco, defendendo que este é um objetivo fiscal "transparente e realista".

O alvo vigente de economia para pagamento de juros da dívida pública é de superávit de 24 bilhões de reais apenas para o governo central (governo federal, Banco Central e Previdência), que, diante da forte contração da economia, ficou inatingível.

Para o setor público consolidado, que engloba também Estados, municípios e estatais, a meta ainda é de superávit primário de 30,6 bilhões de reais.   Continuação...

 
Henrique Meirelles concede entrevista em Brasília. 17/5/2016. REUTERS/Ueslei Marcelino