ANÁLISE - Parente precisará administrar diferentes expectativas à frente da Petrobras

sexta-feira, 20 de maio de 2016 19:36 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Próximo presidente da Petrobras, Pedro Parente terá como principal desafio administrar diferentes expectativas para a condução da estatal, historicamente utilizada como instrumento de políticas públicas e que atualmente enfrenta dívidas bilionárias e luta para reconquistar a confiança do mercado.

A indicação de Parente à presidência foi anunciada pelo governo federal, acionista controlador, e comunicada à Petrobras na noite de quinta-feira, quando o executivo prometeu em uma entrevista coletiva em Brasília que terá uma gestão "estritamente profissional" e sem indicações políticas.

Seu nome foi bem recebido pelo mercado financeiro, pela indústria de petróleo e por especialistas do setor, principalmente pelo seu perfil considerado alinhado com o mercado e com experiências no governo e no setor privado.

Enquanto investidores querem ver a estatal dando lucro, reduzindo seu endividamento e aumentando o valor de suas ações, o governo já utilizou a estatal para anunciar investimentos em áreas politicamente estratégicas, além usar o congelamento de preços de combustíveis para fazer frente à ameaça inflacionária.

"Pedro Parente representa um salto de qualidade na gestão da Petrobras", disse à Reuters Roberto Castello Branco, conselheiro da Petrobras em 2015 --durante a gestão do atual presidente, Aldemir Bendine-- e ex-diretor-financeiro da Vale.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), que representa as petroleiras com atuação no Brasil, também enviaram nota a jornalistas comemorando o nome de Parente.

Entretanto, os sindicatos de funcionários reagiram fortemente, por entender que Parente tem um perfil liberal e irá acelerar ainda mais o plano de venda de unidades da empresa, que representar eventualmente corte de vagas.

"Acho lastimável a indicação de Pedro Parente, não poderia ter uma pessoa pior", afirmou à Reuters José Maria Rangel, ex-representante dos funcionários no Conselho da Petrobras e coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP).   Continuação...