ONS prevê relicitação de ativos em obras da Abengoa no final do ano ou em 2017

segunda-feira, 23 de maio de 2016 11:29 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os ativos de transmissão de energia da espanhola Abengoa no Brasil que ainda estão em fase de implementação não devem ser adquiridos pela chinesa State Grid, o que levará à necessidade de uma relicitação dos contratos que poderia acontecer no final do ano ou mesmo em 2017, afirmou nesta segunda-feira um dirigente do setor elétrico.

Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, os chineses caminham para comprar apenas os ativos já em operação da Abengoa, que passa por uma crise financeira, o que forçaria o governo a realizar licitação para encontrar interessados em levar adiante os demais empreendimentos.

O governo tinha esperanças de que os chineses acertassem a compra de todo o pacote de ativos da Abengoa, o que facilitaria a retomada das obras das linhas, paralisadas em novembro passado, quando a matriz da empresa espanhola iniciou um processo preliminar de recuperação judicial.

Mas essa saída já é vista como a menos provável na cúpula do setor elétrico. Na semana passada, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também afirmou que é mais provável uma relicitação dos ativos dos espanhóis.

"De fato, a solução seria uma solução de mercado, mas a melhor é a que se tem, que é essa (venda apenas parcial dos ativos)", afirmou Barata a jornalistas em evento da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo ele, a relicitação não deverá se dar imediatamente.

"Acredito em algo entre o fim do ano e o início do ano que vem", afirmou.

Mas diretor-geral do ONS disse que essa saída, embora mais demorada, não deve gerar riscos ao suprimento de energia do país devido ao atual quadro de retração da demanda, puxado pela crise e pela elevação das tarifas no ano passado.

"O prazo aperta um pouco...qualquer que seja o crescimento do mercado, podemos ficar apertados, sim, mas em três anos não vejo dificuldade em abastecimento”, afirmou.

(Por Rodrigo Viga Gaier)