Cingapura ordena fechamento de unidade do BSI em investigação sobre escândalo

terça-feira, 24 de maio de 2016 07:52 BRT
 

CINGAPURA/ZURIQUE (Reuters) - Cingapura emitiu nesta terça-feira uma ordem de fechamento das operações do BSI na cidade-Estado, em meio a uma investigação criminal na Suíça contra o banco suíço de investimento, na maior operação internacional sobre entidades financeiras que lidaram com um fundo estatal da Malásia com problemas.

A Autoridade Monetária de Cingapura (MAS) afirmou nesta terça-feira que retirou do BSI status de banco mercantil na cidade-estado por conta de graves violações a regras contra lavagem de dinheiro, na primeira vez em que 32 anos que uma medida deste tipo é tomada contra um banco.

Em comunicado que ressalta uma "cultura de risco inaceitável", problemas regulatórios e conduta errada de alguns dos funcionários do BSI, a MAS informou que está revendo transações de outros bancos em Cingapura.

"A MAS está conduzindo análises sobre várias outras instituições financeiras e contas bancárias por meio das quais transações suspeitas e incomuns foram realizadas", disse a autoridade montetária.

O BSI, detido pelo brasileiro BTG Pactual, está tendo seu controle vendido para o banco também suíço EFG International por 1,33 bilhão de francos suíços. Em comunicado, a autoridade financeira da Suíça Finma afirmou que a aquisição continuará do BSI continuará em frente, mas sob a condição do BSI ser totalmente integrado e depois dissolvido.

A MAS afirmou que os ativos do BSI em Cingapura serão transferidos ao EFG.

A Finma informou que está confiscando 95 milhões de francos suíços em lucros do BSI e que lançou procedimentos de aplicação de regras contra dois antigos ex-diretores sêniores da instituição.

A autoridade de Cingapura não citou explicitamente o nome do fundo estatal no centro do escândalo 1Malaysia Development Bhd em seu comunicado. Mas a Finma afirmou que o BSI cometeu sérias violações sobre lavagem de dinheiro por meio de relacionamentos comerciais e transações vinculadas a escândalos de corrupção envolvendo o 1MDB.

O fundo, criado pelo premiê malaio Najib Razak em 2009 pouco depois de assumir o governo, está sendo investigado por lavagem de dinheiro em pelo menos seis países.

(Por Anshuman Daga e Saeed Azhar em Cingapura e Joshua Franklin em Zurique)