Dólar fecha com leve baixa ante real, por preocupações políticas

terça-feira, 24 de maio de 2016 19:53 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com leve baixa frente ao real nesta terça-feira, depois de chegar a cair mais de 1 por cento mais cedo, em meio a avaliações de que o governo deve enfrentar dificuldades para aprovar no Congresso Nacional as medidas para reequilibrar as contas públicas apresentadas nesta manhã e a nova meta fiscal.

O dólar recuou 0,19 por cento, a 3,5755 reais na venda, depois de saltar 1,82 por cento na sessão passada.

A moeda norte-americana atingiu 3,5423 reais na mínima do dia e 3,5906 reais na máxima. O dólar futuro avançava cerca de 0,03 por cento no fim da tarde.

"Está ficando claro que o governo não tem uma força tão grande no Congresso, especialmente depois da saída do Jucá. Pode ser que fique preso na mesma armadilha em que caiu o governo anterior, tendo que lutar por apoio", disse o operador de um importante banco nacional, referindo-se ao ex-ministro do Planejamento Romero Jucá.

A moeda norte-americana anulou as perdas após o cancelamento das sessões da Comissão Mista de Orçamento (CMO) marcadas para esta terça-feira que avaliariam a meta fiscal para este ano. A reunião fora marcada originalmente para segunda-feira, mas foi cancelada por falta de quórum.

Isso não impede que o plenário do Congresso analise o tema, possivelmente ainda nesta terça-feira, mas muitos operadores entenderam a suspensão como evidência de que o cenário político continua incerto.

O governo está pedindo ao Congresso autorização para marcar déficit primário recorde de 170,5 bilhões de reais neste ano. Trata-se do primeiro grande teste do governo interino de Michel Temer no Legislativo.

"O mercado está trabalhando com o cenário de que a meta passa. Um cenário diferente --atrasos na aprovação, autorização para gastos adicionais-- pode gerar algum nervosismo", disse pela manhã o especialista em câmbio da corretora Icap, Ítalo Abucater.   Continuação...

 
Notas de real e dólar em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes