Inadimplência no Brasil sobe a 5,7% em abril e renova recorde, diz BC

quarta-feira, 25 de maio de 2016 11:04 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A inadimplência no Brasil seguiu trajetória de alta e alcançou 5,7 por cento em abril, contra 5,6 por cento em março, novo patamar mais alto da série histórica do Banco Central iniciada em março de 2011, em meio à profunda retração da economia que tem afetado a renda e emprego.

O dado, divulgado nesta quarta-feira pelo BC, refere-se ao segmento de recursos livres, em que as taxas de juros são livremente definidas pelas instituições financeiras. No segmento de recursos direcionados, o atraso nos pagamentos acima de 90 dias também subiu, a 1,7 por cento em abril, contra 1,5 por cento em março.

A dificuldade de pagamento esbarra também na inflação. Nos 12 meses até maio, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, voltou a acelerar e bateu em 9,62 por cento, bem acima do teto da meta do governo para o ano --de 4,5 por cento pelo IPCA, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

O BC informou ainda que os juros médios também mantiveram o movimento de alta em abril, indo a 52,0 por cento ao ano no segmento de recursos livres, novo recorde histórico, contra patamar revisado de 51 por cento por cento em março.

Enquanto isso, o spread bancário --diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada pelos bancos ao consumidor final-- alcançou 38,8 pontos percentuais em abril, ante 37,4 pontos.

A Selic, taxa básica de juros do país, está em 14,25 por cento ao ano desde julho passado.

Com bancos mais cautelosos para conceder empréstimos e consumidores mais apertados para tomá-los, o estoque total de crédito no país recuou 0,6 por cento em abril sobre o mês anterior, a 3,143 trilhões de reais, passando a responder por 52,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Nos quatro primeiros meses do ano, o estoque total de crédito brasileiro sofreu declínio de 2,4 por cento, acumulando em 12 meses expansão de 2,7 por cento.

O BC projeta crescimento de 5 por cento para o estoque de crédito em 2016 que, se confirmada, será a pior para série histórica iniciada em março de 2007.   Continuação...