Seca e mercado doméstico aquecido limitam exportação de milho do Brasil

quarta-feira, 25 de maio de 2016 17:43 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil deverá exportar menos milho que o esperado na atual temporada, em meio a uma quebra de safra no Centro-Oeste e à variações no câmbio e nos preços domésticos em patamares recordes, apontou uma pesquisa da Reuters.

A retração nos embarques do Brasil, o segundo maior exportador do cereal, potencialmente abre espaço no mercado global para países concorrentes, como os Estados Unidos e a Argentina.

As exportações de milho do Brasil deverão cair para 26,1 milhões de toneladas no ano comercial entre fevereiro de 2016 e janeiro de 2017, ante 28,9 milhões de toneladas estimadas em uma pesquisa semelhante publicada pela Reuters em novembro do ano passado. Em abril, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou a projetar embarques de 30,4 milhões de toneladas neste ano comercial.

No período entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016, o Brasil embarcou um recorde de 30,17 milhões de toneladas, ajudado por uma safra recorde e bons preços internacionais.

"O Brasil exportou demais e agora está tendo problemas com a oferta. Se o Brasil tiver problemas com disponibilidade em outubro, então o Japão (maior importador mundial de milho) irá mudar para Argentina ou Ucrânia", disse o presidente de uma trading japonesa Nobuyuki Chino, em Tóquio, acrescentando que o grão dos Estados Unidos também está mais competitivo que o brasileiro.

A pesquisa com sete consultorias também mostra como a quebra de safra da atual temporada, com a persistente seca em Estados como Goiás e Mato Grosso, torna difícil projetar os volumes que estarão disponíveis para a exportação.

No levantamento de novembro, a diferença entre a maior e a menor previsão era de 4,5 milhões de toneladas. Na atual pesquisa, a diferença é de mais de 14 milhões de toneladas.

"Existe muita incerteza ainda... Estamos em maio, tem bastante chão ainda", disse um operador sênior de milho de uma grande multinacional, para quem os embarques na temporada deverão ficar, inclusive, abaixo de 26 milhões de toneladas.   Continuação...