Com Brasil em crise, fundos de pensão abrem 2016 com melhor rentabilidade em 5 anos

segunda-feira, 30 de maio de 2016 11:42 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Na contramão da crise econômica do país, os fundos de pensão fechados no Brasil estão tendo em 2016 a melhor rentabilidade em mais de cinco anos, refletindo a combinação de juros altos e a disparada recente das ações brasileiras.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), a rentabilidade média do setor estimada no primeiro trimestre foi de 5,24 por cento, o melhor desempenho trimestral desde o quarto trimestre de 2010.

Com patrimônio de cerca de 730 bilhões de reais no fim de 2015 e com quase sete milhões de associados, as entidades do setor avaliam que, se o resultado não for revertido nos próximos meses, podem ter resultado acima da meta atuarial - valorização mínima necessária para o fundos conseguirem pagar os benefícios dos associados de forma sustentada no longo prazo - o que não acontece desde 2013.

"Fomos beneficiados com a melhora de expectativas de China e Estados Unidos, que repercutiram nos mercados, em simultâneo com o processo de impeachment (da hoje presidente afastada Dilma Rousseff) no Brasil", disse à Reuters Jorge Simino, diretor de investimentos e patrimônio do Funcesp.

Maior fundo de pensão patrocinado por empresas privadas do país, com 15 patrocinadoras, o Funcesp teve rentabilidade de 10,7 por cento de janeiro a abril, mais que o dobro da meta atuarial, de 5,2 por cento para o período.

Embora acompanhado com intensidades distintas no setor, o movimento é um alívio especialmente para fundos que nos últimos anos acumularam sucessivos déficits, quando o patrimônio de um plano fica menor do que os compromissos com pagamentos atuais e futuros. É o caso de fundos de funcionários de grandes estatais, como Petros (Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal). Postalis (Correios) e Previ (Banco do Brasil).

De janeiro a março, a carteira do Petros teve rentabilidade de 5,09 por cento, acima da meta atuarial de 4,05 por cento. No principal fundo do Funcef, o retorno de ativos que respondem por cerca de 60 por cento do total, ficou ao redor de 4,5 por cento, ante meta de 4,34 por cento. No Previ, a valorização foi de 5,75 por cento, ante meta atuarial de 4,19 por cento.

O desempenho é explicado majoritariamente pelos juros mais altos oferecidos por papéis do governo --a Selic, referência para títulos pós-fixados, desde julho está em 14,25 por cento ao ano, o pico desde 2006-- e pela disparada das ações brasileiras, com o Ibovespa subindo 15,5 por cento no primeiro trimestre.   Continuação...