Brasil encolhe menos que o esperado no 1º tri, com maior consumo do governo

quarta-feira, 1 de junho de 2016 10:56 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Patrícia Duarte

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A contração da economia brasileira desacelerou nos três primeiros meses deste ano, com queda de 0,3 por cento sobre o período imediatamente anterior, bem menos que o esperado mas marcando o quinto trimestre seguido de contração, diante da menor retração em investimentos produtivos e maior consumo do governo.

Sobre o primeiro trimestre de 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 5,4 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. No quarto trimestre do ano passado, havia recuado 1,3 por cento sobre o trimestre anterior, em número ligeiramente revisado sobre queda de 1,4 por cento informada antes.

Pesquisa da Reuters apontava que a economia teria queda de 0,8 por cento entre janeiro e março na comparação com o trimestre anterior e de 6 por cento sobre o primeiro trimestre de 2015.

Os dados, no entanto, não chegaram a animar os especialistas, sobretudo diante do cenário de restrição fiscal, mantendo a avaliação de que a estabilização da atividade ainda deve demorar para acontecer, algo para o final do ano.

"Precisa haver correção nas projeções (por causa do resultado melhor que o esperado), mas a cara é muito parecida, não muda a percepção, com queda forte da economia no ano", afirmou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, que espera, por enquanto, queda de 4 por cento do PIB neste ano.

"Os investimentos continuaram caindo muito forte na comparação anual e a economia como um todo só deve parar de cair no final do ano, do quarto para o primeiro trimestre (de 2017)", acrescentou ele.

Segundo o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida de investimento, recuou 2,7 por cento no trimestre passado sobre o período imediatamente anterior, quando a queda foi de 4,8 por cento. Sobre o primeiro trimestre de 2015, a retração foi de 17,5 por cento.

Apesar de a queda neste indicador ter desacelerado, foi a maior entre os demais no trimestre passado. Em seguida, veio o consumo das famílias, com queda de 1,7 por cento na comparação com outubro a dezembro passado e de 6,3 por cento sobre um ano antes, em meio ao desemprego elevado e renda em queda.   Continuação...