BM&FBovespa registra contratos financeiros de energia e atrai comercializadoras

quarta-feira, 1 de junho de 2016 17:45 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Sem alarde, a BM&FBovespa passou a oferecer o registro de contratos financeiros de energia elétrica entre o leque de produtos negociados em mercado de balcão, atraindo comercializadoras que fecharam dezenas de operações em um curto período de tempo.

O serviço, em um mercado com potencial volatilidade de preços relacionada a fatores climáticos, pode ser um primeiro passo da empresa para um maior envolvimento no segmento, que passaria pela atuação como clearing.

Desde o lançamento oficial das operações com o produto, em 16 de maio, a BM&FBovespa registrou 28 operações, que movimentaram 96.441 megawatts-hora e foram realizadas por meio de duas corretoras, afirmou à Reuters o diretor de Engenharia de Produtos e Serviços da bolsa, André Demarco, nesta quarta-feira.

"Já existia um interesse represado e esse interesse se mostra de fato efetivo... é um sinal muito positivo, um reflexo de que já existia uma demanda", afirmou.

Como os contratos são puramente financeiros --não envolvem a entrega física da energia-- há uma expectativa de especialistas do setor de energia de que o produto possa atrair novos agentes para as negociações de eletricidade, como fundos, bancos e outros representantes do setor financeiro, elevando a liquidez desse mercado, ainda considerada baixa no Brasil.

Nessas operações, que funcionam como outros derivativos, os interessados podem fechar posições com apostas no valor futuro da energia no mercado de curto prazo, dado pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que é calculado semanalmente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

No momento, segundo Demarco, é oferecido apenas o registro dos contratos sem contraparte central, ou seja, sem garantia da bolsa ou de uma clearing house para a adimplência das contrapartes na hora da liquidação dos contratos.

A BM&FBovespa, no entanto, fará estudos com o objetivo de oferecer esse serviço futuramente, o que reduziria riscos para os envolvidos e poderia impulsionar as operações.   Continuação...