Parente vê venda de ativos da Petrobras como crucial e descarta capitalização

quinta-feira, 2 de junho de 2016 15:32 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O plano bilionário de venda de ativos da Petrobras é "crucial" para a reconstrução da empresa, que não prevê contar com um socorro financeiro do Tesouro Nacional, afirmou nesta quinta-feira o novo presidente da petroleira, Pedro Parente, durante cerimônia de transmissão do cargo de CEO.

"A empresa precisa fortalecer o seu caixa e reduzir a sua dívida, e os desinvestimentos são fundamentais para esse objetivo", afirmou Parente, em discurso de mais de 30 minutos para uma plateia repleta de agentes do setor.

Parente evitou entrar em detalhes sobre quais ativos poderão ser vendidos, mas frisou que as discussões estarão baseadas nas estratégias e necessidades da empresa.

"O que me incomoda muito é trazer dogmas para a discussão (de venda de ativos). Vamos discutir com base em fatos e dados o que for melhor para a companhia", afirmou, frisando que também serão avaliadas parcerias estratégicas em ativos.

Questionado por jornalistas, em coletiva de imprensa após o discurso, sobre a forte resistência dos sindicatos de petroleiros ao plano de desinvestimentos e à escolha de seu nome para presidir a empresa, que incluiu a ameaça de greves, Parente afirmou que está disposto a dialogar.

O presidente do conselho da Petrobras, Nelson Carvalho, também presente na coletiva, complementou a fala de Parente e disse que se os petroleiros estivessem preocupados com os prejuízos há mais tempo, talvez a companhia não tivesse chegado ao complicado momento em que se encontra.

Uma das demandas dos sindicatos é que a empresa seja socorrida financeiramente pelo governo. Os sindicatos também rejeitam Parente, por ele ter trabalhado no governo de Fernando Henrique Cardoso, tão marcado por privatizações.

Parente frisou que "não gosta" da visão de que o governo, principal acionista, deveria capitalizar a Petrobras.

Segundo ele, o país vive hoje um "gravíssimo quadro fiscal" e um socorro do Tesouro seria jogar "nas contas do contribuinte brasileiro a solução de um problema que ele não ajudou a criar".   Continuação...