2 de Junho de 2016 / às 19:32 / em um ano

Estrangeiros devem seguir usando ETFs para aplicar em ações brasileiras, vê BNP Asset

SÃO PAULO (Reuters) - Investidores estrangeiros devem continuar utilizando fundos de índice, conhecidos como ETFs, para aplicar em ações brasileiras no curto prazo em vez de comprarem papéis diretamente, avalia o chefe da área de renda variável para América Latina do BNP Paribas Asset Management Brasil, Frederico Tralli.

Ele observa que as estratégias de alocação global estão mais atreladas a questões macroeconômicas, notadamente a política monetária dos Estados Unidos e o ritmo da economia da China, o que faz com que fundos globais olhem o Brasil dentro de um contexto de mercados emergentes versus mercados desenvolvidos.

“Tem prevalecido a decisão com base nesses valores”, disse o gestor. Ele acrescentou que os investidores dedicados, que conhecem mais a fundo os países e adotam estratégias com foco mais direcionado, têm ficado fora de emergentes, como é o caso do Brasil, à espera de fundamentos mais atrativos.

ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos espelhados em índices como o Ibovespa ou o MSCI Brasil, que têm suas cotas negociadas na bolsa. Eles permitem que o investidor aplique em diferentes ações comprando apenas uma cota.

Em 2016, o ETF iShares MSCI Brazil acumula uma alta ao redor de 25 por cento. Até o final de abril, esse ganho superava 40 por cento. A correção no mês passado acompanhou um movimento visto em outros mercados emergentes. Na bolsa paulista, o Ibovespa recuou 10 por cento em maio.

Tralli viu o desempenho de maio como um ajuste do exagero gerado pela conjunção do otimismo com a troca do governo e ambiente de alta de commodities e fraqueza do dólar no exterior que predominou nos três meses anteriores.

“Quem estava demasiadamente otimista com o novo comando do país ficou mais conservador”, acredita, com o noticiário recente gerando incertezas com o futuro da condução política e como isso afetará a agenda de votações no Congresso Nacional.

DEPOIS DO AJUSTE

Após a queda nas ações brasileiras em maio, Tralli se diz mais “construtivo” com a bolsa local, mas ainda não se considera otimista. “Ficou um pouco mais atrativa, mas a situação ainda está muito imprevisível e os desafios do lado econômico interno são muito difíceis.”

Tralli nota que o mercado está confortável com a equipe econômica do governo interino de Michel Temer, porque é claro o que esse grupo se propõe a fazer em termos de reformas e medidas econômicas.

“A questão é que, na medida em que o cenário político se embaralha, com envolvimento de nomes do PMDB ou ligados ao partido em investigações como a operação Lava Jato, fica um desconforto se o governo Temer conseguirá apoio no Congresso para implementar medidas em tempo hábil.”

Mas ele disse que já esteve mais preocupado com o rumo da Bovespa e que agora enxerga uma possível estabilização, até uma eventual melhora, pois avalia que os grandes temas globais, como juros norte-americanos e China, que vê como principais guias do fluxo nos mercados, estão bem mais precificados.

“Muito se discute sobre o cenário político no Brasil, mas a decisão dos estrangeiros (em relação às ações brasileiras) tem sido pautada pelo cenário externo.”

Dados da BM&FBovespa nesta quinta-feira mostraram que maio teve saídas líquidas de 1,8 bilhão de reais, no primeiro resultado negativo desde janeiro. No ano, contudo, as entradas ainda superam as saídas, com saldo positivo superando 11 bilhões de reais.

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