6 de Junho de 2016 / às 10:22 / em um ano

Ser Educacional propõe combinação de negócios com Estácio

SÃO PAULO (Reuters) - A Ser Educacional apresentou proposta de combinação dos negócios com a Estácio Participações, dias depois desta ter recebido oferta semelhante da Kroton, expondo uma rápida movimentação entre as principais empresas privadas de educação no país.

A proposta não vinculante do Conselho de Administração da Ser formulada à mesma instância da Estácio prevê uma companhia combinada com valor de mercado aproximado de 6 bilhões de reais e cerca de 739 mil alunos presenciais, o que seria a segunda maior do país, atrás apenas da Kroton, com cerca de 1 milhão de alunos.

Pelo proposto, a companhia combinada teria participação de 68,7 por cento das ações nas mãos dos acionistas da Estácio e os 31,3 por cento restantes com os acionistas da Ser Educacional, segundo fato relevante divulgado pela Ser na noite de domingo.

Além disso, a Ser Educacional propôs pagar um dividendo extraordinário de 590 milhões de reais aos acionistas da Estácio, o que equivale a 1,92 real por ação desta última.

Segundo o presidente-executivo da Ser Educacional, Jânyo Diniz, a proposta já vinha sendo formulada há algum tempo e tem baixo risco de enfrentar problemas com as autoridades antitruste, uma vez que a sobreposição entre as duas companhias é baixa.

De acordo com o executivo, as condições propostas são atrativas para os acionistas da Estácio, dada a condição de pagar parte da operação em dinheiro.

“Mas não vamos entrar num leilão pelo negócio”, disse Diniz à Reuters.

Na semana passada, a Kroton anunciou proposta de combinação de negócios com a Estácio Participações, numa transação toda baseada em troca de ações.

De acordo com a Ser Educacional, que fará uma teleconferência com profissionais do mercado no final da manhã desta segunda-feira para comentar detalhes da proposta, o negócio formulado traz grandes oportunidades de crescimento orgânico, além de ganhos com sinergias operacionais e comerciais.

“Além disso, vamos explorar aquisições futuras”, disse Diniz.

A Ser Educacional, que contratou o Credit Suisse e o escritório de advocacia Pinheiro Neto como assessores, disse que a empresa combinada deve ter forte participação nas regiões Norte e Nordeste do país.

A concorrência pela consolidação acontece num momento em que a forte contração da economia brasileira e a vertiginosa queda na arrecadação federal levaram o governo a impor regras mais restritivas para liberação de recursos por meio do programa de financiamento estudantil Fies, que representa parcela relevante das receitas das instituições de ensino superior privado.

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