Preço do milho no Brasil cai com início da colheita; indústria vê fim da especulação

segunda-feira, 6 de junho de 2016 16:34 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - As primeiras colheitas do milho segunda safra do Brasil começam a chegar ao mercado, pressionando as cotações do cereal após preços recordes registrados neste ano, afirmaram especialistas do mercado à Reuters, em um movimento que vai beneficiar a indústria produtora de aves e suínos, que teve suas margens fortemente pressionadas pelos altos custos.

Apesar de os volumes colhidos serem pequenos, permitiram que o mercado deixasse de ser nominal, com cotações em patamares estratosféricos e irreais, para um produto com baixa disponibilidade. Essa conjuntura levou criadores de suínos do país a abaterem matrizes e a cortarem turnos de produção na indústria de aves, visando reduzir custos.

Há poucas semanas, os preços do milho oscilavam perto de 50 reais a saca em Mato Grosso, o maior produtor do Brasil, mas as cotações estão agora entre 32 a 40 reais a saca, dependendo da região, com o mercado voltando a ter um pouco de liquidez com a chegada da colheita.

A situação, ainda que represente um alívio, aponta para preços historicamente altos. Na mesma época do ano passado, por exemplo, o milho em Mato Grosso era negociado por menos da metade do valor atual. E, em algumas praças, por um terço do preço deste início de junho.

Até a semana passada, produtores mato-grossense haviam colhido cerca de 3 por cento da área.

"É pouco (milho), mas já dá tendência, e o pessoal começa a ver que não tem mais escassez, com a entrada da safra começa a acabar o elemento especulativo", disse à Reuters o vice-presidente de Mercados de Aves e Suínos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

Segundo ele, há relatos de produtores comprando milho a cerca de 30 reais/saca em Mato Grosso e levando o produto para as regiões produtoras de São Paulo. Com o custo do frete, o produto chega a 40 reais.

"Já não é aquele absurdo de 50 reais a saca", afirmou Santin.   Continuação...