Ex-conselheiro da Petrobras Castello Branco defende privatização da petroleira

segunda-feira, 6 de junho de 2016 17:56 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O ex-conselheiro da Petrobras Roberto Castello Branco afirmou nesta segunda-feira que a intervenção do Estado na petroleira abriu caminho para ineficiência e corrupção e que a melhor solução para a companhia seria a privatização.

Entretanto, ele ponderou que o país não está preparado ainda para essa discussão.

Para Castello Branco, que já foi diretor da Vale e atualmente é diretor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o governo utilizou a Petrobras como instrumento de poder político e fonte de distribuição de renda, causando uma crise financeira na companhia.

Castello Branco foi representante do governo no Conselho de Administração da Petrobras em 2015, indicado pelo governo da presidente afastada Dilma Rousseff, e não teve sua indicação renovada neste ano, após notícias de desintendimentos constantes com o até então presidente da Petrobras Aldemir Bendine.

Como exemplo de uma intervenção estatal que prejudicou a empresa, Castello Branco citou a manutenção dos preços da gasolina e do diesel em anos recentes mais baixos do que no mercado internacional, causando prejuízos bilionários para a companhia.

"Nenhum país sério do mundo combate a inflação com os preços dos combustíveis", afirmou Castello Branco, durante uma palestra na FGV no Rio de Janeiro.

Como medidas para solucionar a crise financeira da empresa, Castello Branco defende que a empresa busque eficiência e transparência como estatal, melhorando a governança corporativa e afastando a intervenção do Estado.

Para reduzir seu endividamento, Castello Branco defende que a Petrobras melhore sua disciplina de alocação de capital e acelere o seu plano de desinvestimentos, que em sua avaliação está atrasado em relação ao de outras petroleiras multinacionais, em meio aos baixos preços do petróleo.

Também afirmou que uma capitalização da empresa por meio de recursos do Tesouro seria a pior solução para a empresa. "Uma empresa endividada tem que ser mantida sob pressão para ter incentivo para se salvar", afirmou.   Continuação...