Chuvas fortes causam grandes filas de navios para exportação de açúcar do Brasil

segunda-feira, 6 de junho de 2016 18:30 BRT
 

Por Marcelo Teixeira e Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Chuvas atípicas em junho continuaram a castigar os principais terminais exportadores de açúcar do Brasil nesta segunda-feira, suspendendo as operações nos portos, com um grande volume do adoçante aguardando para ser embarcado para o exterior e ajudando a elevar os preços da commodity para uma máxima de dois anos e meio.

As chuvas também continuam a interromper a colheita no principal cinturão de cana do centro-sul, lembrando o mercado sobre o primeiro déficit global de açúcar em seis anos.

Após um mês de abril muito seco, que impulsionou o início antecipado de uma safra recorde 2016/17, chuvas acima da média no fim de maio e em junho estão forçando os navios a aguardar muito mais que o normal para carregar o açúcar nos portos brasileiros, trazendo riscos de escassez de fornecimento para algumas refinarias.

"É difícil carregar os navios sob a chuva, então os atrasos estão se acumulando", disse a gerente comercial da empresa SA Commodities Isadora Lopes, em Santos.

As chuvas acumuladas até o momento em junho são o triplo da quantidade que normalmente choveria na região costeira do Estado de São Paulo.

Dados da SA Commodities mostram que há 29 navios aguardando para serem carregados com açúcar em Santos ante 15 na mesma época do ano passado. O total de açúcar que espera para ser carregado corresponde a 1,4 milhão de toneladas, ante 400 mil toneladas um ano atrás.

O navio para o transporte de açúcar a granel Clia, por exemplo, aproximou-se da costa brasileira perto de 9 de maio para ser carregado com 74 mil toneladas de açúcar para a comercializadora de commodities francesa Sucden. Ele só atracou no terminal da Rumo no domingo.

"A infraestrutura já era insuficiente. Você acrescenta a isso um começo antecipado de uma colheita recorde, melhores retornos para exportações de açúcar devido à fraqueza da moeda e, acima de tudo, o tempo chuvoso", disse o advogado Alex Bahov, que supervisiona contratos de navegação, em Santos.   Continuação...