Objetivo é cumprir meta central de inflação e "respeito" a câmbio flutuante, diz Ilan

terça-feira, 7 de junho de 2016 14:21 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O indicado à presidência do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta terça-feira que o objetivo da autoridade monetária será o de cumprir plenamente a meta de inflação "mirando o seu ponto central", destacando que a manutenção de nível baixo e estável de inflação é condição essencial para o crescimento sustentável.

Em discurso na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde está sendo sabatinado pelos parlamentares, Ilan disse ainda que haverá "respeito ao regime de câmbio flutuante" caso assuma o BC e também defendeu a reconstituição do tripé macroeconômico.

"Considero haver praticamente consenso de que é preciso reconstruir o quanto antes o tripé macroeconômico formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante, que permitiu ao Brasil ascender econômica e socialmente em passado não muito distante", afirmou.

Após sua fala, o dólar passou a cair frente ao real, com alguns operadores entendendo que Ilan teria indicado ser favorável a menos intervenções no mercado de câmbio e, assim, estaria confortável com a moeda abaixo de 3,50 reais.

Depois de dizer que as reservas internacionais são um seguro que vale a pena manter em momentos de incerteza, Ilan assinalou que, passado esse período mais turbulento, uma análise sobre o nível ótimo desse colchão seria "debate extremamente oportuno" devido ao custo de sua manutenção.

Segundo o ex-economista chefe do banco Itaú, o cenário atual é desafiador, com níveis de instabilidade política e econômica superiores à média histórica. Mas considerou que as medidas recém-anunciadas pelo governo interino de Michel Temer estão na direção correta, completando que a eficiência da política monetária será tanto maior quanto mais bem-sucedidos forem os esforços na implementação de reformas estruturais e na recuperação fiscal.

Ilan afastou a ideia de que o país vive período de estagflação e ressaltou que o país atravessa umas das piores recessões de sua história.

Durante a sabatina, ele disse que é preciso criar condições para a queda dos juros básicos da economia e que as reformas são um pilar para tanto. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tem início nesta terça-feira, com o resultado no dia seguinte, e as expectativas gerais dos agentes econômicos são de que a Selic será mantida em 14,25 por cento ao ano no último encontro sob a batuta do atual presidente do BC, Alexandre Tombini.   Continuação...

 
Indicado à presidência do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante encontro em Brasília.   17/05/2016     REUTERS/Ueslei Marcelino